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Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Roda de Fogo (1986/1987)

23/08/2010

Passei umas semanas bem ocupada e fiquei devendo ao EGS um texto sobre Roda de Fogo, que deveria ter sido publicado há uns 10 dias, mais ou menos. Embora atrasada, está aí o texto.

Quem viu Roda de Fogo sabe bem quem é Renato Villar. Tarcísio Meira era o homem mais poderoso daqueles 180 capítulos, que começou como vilão, mas virou o jogo e caiu nas graças do público. De empresário ‘frio e calculista’ (adoro!) virou um homem arrependido, disposto a corrigir os erros do passado e sem medo de mudar de vida. Esse toque de vida real ao personagem é, na minha opinião, o que faz com as pessoas lembrem até hoje do nome Renato Villar. Taí o EGS que não me deixa mentir.

E para justificar isso eu bem que poderia começar aqui um discurso meio chato sobre a influência das telenovelas na sociedade brasileira, que elas auxiliam a formar mentalidades, construir valores e narrar a realidade à sua maneira, e bla bla bla… Mas vou encurtar o papo e ser somente a especialista das minhas próprias lembranças de infância:

– O Tabaco, personagem de Osmar Prado, motorista de Renato Villar, era o meu favorito. Adorava o arco formado por ele e suas três mulheres, que ele amava e não conseguia viver sem. Era engraçado o malabarismo que fazia para manter os três relacionamentos. No fim, subiu com as três ao altar.

– Renata Sorrah era o máximo com suas ombreiras enormes.

A trilha nacional de Roda de Fogo é uma das primeiras a conter várias bandas e cantores pós-hecatombe new wave, com figurinhas mais do que carimbadas do rock nacional. Uma delas é Paralamas do Sucesso, com a regueira clássica de Você, hit de muitos verões meus em Capão da Canoa.

O único resquício de new wave é a presença da Rádio Táxi, com Você se Esconde. Porém, a música é um pop interessante, com poucos elementos bagaceiros e guitarra pra lá de roqueira. Vale a audição.

Transas, do Ritchie, é uma balada letal. Tanto tempo faz que a gente transa, e não se conversou é a frase que abre a canção. Isso já diz muita coisa sobre a obra. Quero saber quem vai regravá-la agora. Se ninguém se candidatar, eu mesmo farei o trabalho.

A pá de cal é jogada com Nem um Toque, da Rosana, certamente uma das 10 baladas mais excelentes da música brasileira. Tudo é perfeito, da introdução no sax ao refrão grandioso. Um primor. O encerramento com Música Urbana, do Capital Inicial, é só para me transportar novamente para o Litoral Norte do Rio Grande do Sul.

Que saudades do Baronda.

Já a trilha internacional começa com baladas marcantes, como With You All The Way, do New Edition, a boy band que abriu espaço para o New Kids On The Block alguns anos depois. A sequência com Invisible Touch, do Genesis, vem com tudo, com Phil Collins mostrando porque é um gênio da música pop.

Curiosamente, a trilha também tem a presença de alguém que já andou pelo Genesis: Peter Gabriel, com Sledgehammer, e seu clipe que virou referência em computação gráfica em uma época em que tudo era tosco demais. Além disso, a música é realmente boa.

Simply Red e a balada Holding Back The Years mantém o clima de reunião dançante aceso e se destaca no meio de tantas baladas genéricas no disco. E colocar If Looks Could Kill, do Heart, para fechar a trilha, foi uma atitude genial, só para deixar o gostinho de que poderia ter mais hard rock no álbum.

Touché.

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Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Ti ti ti (1985/1986)

29/07/2010

Já que o EGS me chamou de especialista, vou ter que, pelo menos, tentar me comportar como tal. Mas aviso: o mais próximo que cheguei disso foi quando fiz minha monografia sobre novelas. Foi super divertido, mas o resultado é irrelevante para o resto do mundo. E já faz alguns anos, então, não muda muito.

Hoje o assunto é Ti ti ti, novela que passou na mesma época em que Roque Santeiro, e da qual me lembro vagamente. Confesso que tive que recorrer ao oráculo para me relembrar da trama original. Porque, se me perguntassem, de cara eu ia dizer que tudo que me vinha à mente era Victor Valentin e o batom Boka Loka, que eu queria muito, mas não tinha idade para me maquiar (agora, talvez eu possa ter um, já que rolam burburinhos por aí de que o produto será relançado). Minha rápida pesquisa ajudou, ainda mais depois que resolvi fazer o tema de casa e assistir ao remake que está sendo exibido pela Globo.

A novela mudou, sem dúvida, até porque precisava se atualizar desde sua estreia há 25 anos, e também porque foi misturada à trama de Plumas e Paetês (esta eu não vi, obviamente), além de trazer de volta personagens de sucesso de outras novelas, como o Mario Fofoca, por exemplo. De qualquer maneira, os personagens parecem fieis, mas tudo é mais exagerado. O antigo Victor Valentin, vivido por Luís Gustavo, era muito mais excêntrico do que promete ser Murílo Benício, mas, em compensação, o atual tem um perfil bem mais cômico do que o original. Já Reginaldo Farias, o Jacques Leclair da primeira versão, era bem mais tradicional do que Alexandre Borges no remake.

Mesmo assim, acredito que há chances de ser uma boa novela, hilária como pede o horário das 19h. Porém, eu sempre levo um pouco de medo quando tem a mão do Jorge Fernando, porque, embora eu goste dele, acho que o excesso de barracos, típico das produções dele, tende a cansar o público.

A trilha sonora ainda não foi divulgada, mas dizem por aí – e como se vê na abertura e nas chamadas – que algumas músicas antigas farão parte da nova trilha.

A trilha nacional de Ti ti ti já começa com o tema de abertura, da banda Metrô. Como todo new brasileiro da época, a música é tosca demais. Vale como registro histórico e só. A coisa começa a mudar de figura com Não Diga Nada, do Prêntice (pior nome DE TRABALHO). Na verdade, só fui lembrar da música quando ouvi a trilha e me dei conta que já conhecia, mas numa versão cantada pelo RODRIGO FARO (eterno). Bela canção.

Lobo do Absyntho é outra música new wave, mas é bem melhor do que o tema da novela, ao menos. Troca-troca dos Fevers é outra que esbanja anos 80 a cada nota. Nada Por Mim da Marina é um clássico conhecido por todos, nem que seja na versão original dos Paralamas do Sucesso. O lado B é mais fraco, por isso não destacarei nada. Vamos para a outra trilha, pois.

A trilha internacional começa demolindo o universo, com Lover Why do Century. A prova de que essa música é excelente é o fato de ela estar na coletânea LOVE METAL. Desconheço praticamente todas as bandas dessa trilha, por isso me aterei às que são confirmadas. Hot Shot do Jimmy Cliff é uma aula de sintetizadores e bateria eletrônica, com aquele clima caribenho safado de fundo.  Sade é garantia de MAKE OUT SONG e Hang On to Your Love não é diferente. Rola aquela linha de baixo hipnótica e a guitarrinha marota de sempre.

Does Anybody Know Me do Lipps Inc. (a banda de Funky Town da trilha de Shrek 2, para quem não conhece) é um som disco tradicional, parece até meio deslocada, aqui. Mas é uma boa música, que empolga. E esses são os pontos altos da trilha. Não são muitos, eu sei, mas as próximas trilhas serão cobertas de destaques. AGUARDEM.