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Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Que Rei Sou Eu? (1989)

12/09/2011

Ainda hoje, apesar das novas mídias e da chegada de novas gerações, as novelas continuam sendo um importante produto de exportação da cultura brasileira e uma forma de entretenimento da população em geral. Continua sendo o programa mais assistido na nossa TV, ainda que venha, aos poucos, perdendo seu público. Eu mesma me encaixo neste grupo. Passei de assídua e viciada a telespectadora esporádica.

E, enquanto me preparava para escrever sobre Que Rei Sou Eu?, me dei conta de que, naquela época, embora eu fosse criança e sem tantos compromissos, a novela era muito presente na minha vida e de todos lá em casa. E, a partir daí, comecei a me perguntar até quando as tramas televisivas vão fazer parte da nossa rotina e vão ocupar espaços tão importantes na telinha e o que teria feito o gênero perder parte do seu fiel público. Claro que toda e qualquer coisa que eu escrever aqui não vai, de fato, responder às questões, mas tenho a impressão de que são tantos anos contando histórias que chega um momento em que fica difícil fazer diferente. Isso somado ao politicamente correto e à patrulha dos bons costumes, que afasta da TV tudo que foge ao padrão e à fórmula de sucesso. E, por isso, nos faz tão saudosistas de novelas passadas. Talvez, Vale Tudo ou Roque Santeiro, por exemplo, não seriam tão boas se fossem exibidas hoje, mas foram marcantes porque inovaram no seu tempo. E, pra nós, são parte da memória afetiva.

Assim como Que Rei Sou Eu?, que foi extraordinária. A novela não foi ao ar em caráter experimental, ela fez sucesso porque tinha qualidade, era pitoresca e cheia de humor inteligente, a ponto de conseguir trazer para o horário das sete uma trama de época. Era o Brasil rindo dele mesmo, em uma época em que caminhávamos para a primeira eleição direta para a Presidência da República no período pós-ditadura. Os governantes eram corruptos, autoritários, o povo vivia na miséria, e o país enfrentava a instabilidade financeira e sucessivos planos econômicos. Qualquer semelhança não era mera coincidência com o Brasil (dos planos Cruzado, Cruzado Novo, Cruzado II, Cruzeiro, etc) da época, certo?

A história de Que Rei Sou Eu? se passava em Avilan, um imaginário país europeu em 1786, três anos antes da Revolução Francesa. O enredo inicia a partir da morte do rei Petrus II (Gianfrancesco Guarnieri), que não deixa sucessores legítimos, apenas um filho bastardo, Jean-Pierre (Edson Celulari). Na ausência de um herdeiro, os conselheiros reais, que exercem forte influência nas decisões da rainha Valentine (Tereza Rachel), resolvem entregar a coroa ao mendigo Pichot (Tato Gabus Mendes). A armação é obra de Ravengar (Antônio Abujamra), o bruxo do condado e um dos melhores personagens já criados para a televisão até hoje. Revoltado com a coroação de Pichot, Jean-Pierre se prepara para derrubar os poderosos vilões de Avilan.

A descrição acima, tirada daqui, resume bem a trama da novela. Mas os méritos estão todos nos detalhes: o texto inteligente, a retratação cômica do Brasil naquele período e a riqueza dos personagens. Cassiano Gabus Mendes conseguiu fazer uma paródia perfeita. Transportar figurões da política do país para a monarquia anárquica da ficção, de forma leve, mas sei deixar a crítica de lado.

Na minha galeria de melhores novelas, Que Rei Sou Eu? está entre as Top 5. Me arriscaria dizer que ocupa o primeiro lugar, mas, confesso, fica difícil elencar quando os posts deste blog começam a entrar na “Era de Ouro” das telenovelas, os chamados anos 90.

Uma trilha que tem Chama, do Roupa Nova, só pode ser excelente. Léo Jaime com Medieval 2 também ajuda a manter o nível lá em cima. Mas é no lado B que o bicho pega, com Bye Bye Tristeza da Sandra de Sá abrilhantando tudo. A faixa seguinte merece menção só pelo nome: As Muralhas do Teu Quarto São Bem Altas, Mas Eu Posso Te Alcançar. O autor? Wando, claro.

A sequência com Finge Que Não Falou, do Nico Rezende, é garantia de música boa. E o fechamento com Que Rei Sou Eu?, do Eduardo Dusek, traz lembranças de uma das maiores novelas já escritas. E olha que ainda nem cheguei na trilha internacional.

Guilia Gam na capa já é sinal de sucesso. Abrir o disco com Eternal Flame, das Bangles, então, é atestado de maestria. E seguir com How Can I Go On?, dueto de Freddie Mercury e Montserrat Caballé dispensa comentários. A inclusão de Bamboleo, dos Gypsy Kings, reforça o bom gosto na escolha das músicas. A balada I Will Always Love You, da Talyor Dayne, só faz lembrar como era boa a época das MÚSICAS LENTAS.

E é isso que mais aparece no lado B, aberto com Specially For You, da Kylie Minogue e Jason Donovan. O Noel (aquele de Silent Morning) vem com a faixa Like a Child, naquele synthpop maroto. E a festa encerra com a perfeita Patience, do Guns N’ Roses, deixando aquele gostinho de quero mais. Parabéns aos envolvidos na escolha das músicas.

Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – O Salvador da Pátria (1989)

08/09/2011

Assim, na verdade verdadeira, me lembro muito pouco de O Salvador da Pátria. Pra ser sincera, não me lembro nem se eu assisti à novela, mas algumas memórias eu tenho. Nada de muito significante, mas eu repetia com frequência “Meninos, eu vi”, bordão de Juca Pirama no programa de rádio.
Fora isso, a memória não ajuda e são apenas alguns flashbacks sem sentido. Desconfio que é pela temática. Lendo a sinopse, vi que a novela abordava fortemente a questão política, tentando fazer um elo com o Brasil da época. Provavelmente, eu não entendia aquilo. Eu me irritava com o Sassá Mutema e achava totalmente fora de propósito o romance dele com a professorinha. Hoje, avaliando, acho que gostaria de assistir. Quem sabe no Viva, né?
E, para justificar este raso comentário (não que os outros sejam profundos, mas enfim): ele só existe por conta da trilha sonora. Né, EGS?
A trilha sonora nacional tem pérolas como a versão da Simone para O Tempo Não Pára e a formidável balada Direto no Olhar, da Rosana. Como costumo repetir à exaustão: THEY JUST DON’T MAKE THEM LIKE THIS ANYMORE. A porção hard rock vem com Wander Taffo em Pra Dizer Adeus, sonzeira com guitarras como manda a etiqueta.
A clássica Lua e Flor do Oswaldo Montenegro tocava em tudo que era lugar na época, impossível não conhecer o verso “Eu amava como amava algum cantor de qualquer clichê de cabaré, de lua e flor”. E para fechar, mais hard rock, com Yahoo tocando Delicious.
A trilha internacional deveria vir acompanhada de um desfibrilador, porque a tracklist é muito perigosa. Abrir um disco com Hold Me In Your Arms, do Rick Astley, é para poucos. Seguir com Two Hearts, do Phil Collins, só piora a situação. Daí vem a diva Whitney Houston com One Moment In Time. A coisa começa a virar agressão gratuita com I’ll Be There For You, do Bon Jovi, e atinge níveis estratosféricos de maldade com Girl You Know It’s True, do Milli Vanilli.
Depois disso tudo, não sobra muito para o lado B do vinil, mas ainda assim os trabalhos são abertos com Domino Dancing, do Pet Shop Boys. E seguem bem com uma versão para Baby I Love Your Way, do Will To Power, e Lost In Your Eyes, da Debbie Gibson. Encerrando de vez, temos o METAL CRISTÃO do Stryper, com I Believe In You. O ecletismo dessas trilhas sonoras jamais vai deixar de me espantar – e fascinar.

Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Bebê a Bordo (1988/1989)

23/08/2011

 

 

 

Depois de falar aqui da memorável Heleninha, bêbada e louca por um mambo, chegou a vez de outra. E não, não é novela do Manoel Carlos. Bebê a Bordo, aliás, não tem nada em comum com o autor das novelas que se passam no Leblon. A Heleninha da vez é um bebê, filha de mãe solteira que veio ao mundo enquanto a mãe fugia da polícia, pelas (peludas) mãos de Tony Ramos, o tímido Tonico.

A novela é de Carlos Lombardi, típica do estilo dele, embora com menos homens sem camisa desfilando de pijamas sem cuecas do que o habitual, é verdade. Mas taí o Tonico, o mocinho paspalhão, que não nega a origem. E, apesar do estilo das sete, se quiser ir a fundo dá até para levar a sério. Bebê a Bordo tinha um apelo forte sobre relações entre pais e filhos. A personagem central, Ana (Isabela Garcia), foi abandonada quando criança pela mãe Laura (Dina Sfat, em seu último trabalho na TV) e, como mãe solteira de Heleninha, também abandonou a criança, que tinha uma lista de pretendentes a pai. Dois dos possíveis candidatos, os irmãos Rico e Rei (interpretados pelos Guilhermes Leme e Fontes quando ainda serviam para colírios), também tinham sido deixados para trás pelo pai e nunca nem falaram a respeito da mãe. Enquanto isso, outros personagens tinham mães presentes ou permissivas demais.

De resto, me lembro muito pouco da novela, mas reconheço que ela foi importante para a minha compreensão de realidade x fantasia. Afinal, até uma criança de 8 anos sabe que essa coisa de Ninguém Segura este Bebê que Heleninha vivia era só na ficção. E sei, podia falar do Leo Jaime ator, mas vou deixar a responsa com o EGS, que é mil vezes mais talentoso do que eu.

Uma trilha sonora que começa com Mordida de Amor do Yahoo só pode ser interessante. Como todos sabem, essa versão é superior à original do Def Leppard e marcou a vida de todo mundo que viveu os anos 80. A sequência com Adoro, do Léo Jaime, garante a cota de participações dele em trilhas de novelas.

O grande Dalto contribui com Quase Não Dá pra Ser Feliz e a Marina com Preciso Dizer que Te Amo. Do lado B, destaque para a Joanna com Amor Bandido e o Emílio Santhiago com a clássica Ronda. A trilha nacional até que não é das melhores, pois a proporção de baladas para músicas de dançantes não é equilibrado, o que considero um pecado. Mas tem o seu valor.

A trilha internacional é claramente superior, começando com I Don’t Wanna Go On With You Like That, do Elton John, na melhor fase da sua carreira. Mal o cara se recupera e já vem Housemartins com Build, a famigerada MELÔ DO PAPEL. Maior do que toda a carreira posterior do Fat Boy Slim, que nessa época fazia baladas fatais. 1,2,3 da Gloria Estefan & Miami Sound Machine traz um clima latino pro disco, que tem várias baladas definitivas.

Tanto é verdade que o lado B começa com I Don’t Want To Live Without You, do Foreigner, canção tão conhecida de quem ouve Antena 1 (maior rádio). Mas se engana quem acha que esse é o auge do álbum. Ainda há duas pérolas antes do bolachão terminar: Strangelove, do Depeche Mode, e Never Tear Us Apart, do INXS. Convenhamos que, com petardos assim, não dá vontade de parar de ouvir a trilha.

Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Vale Tudo (1988)

29/06/2011

Considerada um marco na televisão brasileira, esta obra do mestre Gilberto Braga é inesquecível. Com todas as tramas paralelas bem relacionadas e sua atmosfera suburbana – característica do autor – Vale Tudo ficou marcada, entre outras coisas, por ter sido a primeira novela em que o vilão (Marco Aurélio, muito bem interpretado pelo Reginaldo Faria, diga-se de passagem) se dá bem no final. Quem aqui não lembra dele fugindo impunemente com milhões de dólares na maleta e fazendo sinal de “banana” pro país?

Acho que é daí que vem o grande mérito de Vale Tudo: o fato de ter sido uma das poucas novelas que conseguiram trazer para a telinha a discussão sobre honestidade sem cair no politicamente correto. Do contrário, Marco Aurélio seria preso ou ficaria louco (este tem sido o fim preferido dos autores recentes para seus vilões), mas jamais fugiria numa boa e debochando. Outro fato que fez a novela ser assunto em rodas de discussão foi a resposta à pergunta “Quem matou Odete Roitmann?”. O suspense, descobri hoje, durou apenas 13 dias, mas na minha memória foi muito mais.

A trama principal de Vale Tudo girava em torno de Maria de Fátima, moça ambiciosa do interior, que vende a casa que mora com a mãe sem que ela saiba, e vai tentar a vida no Rio de Janeiro sozinha. Por outro lado, a mãe, humilde e gentil, que ganha a vida de forma honesta, fica rica de repente com a venda de sanduíches na praia, que vem a formar a empresa Paladar. Sobre isso, uma curiosidade: na época em que fazia minha monografia, eu pesquisei muito sobre as novelas enquanto produto da cultura brasileira, e uma das coisas que descobri é que em Cuba eles são loucos por novelas. E foi por causa delas que eles incorporaram o termo Paladar no vocabulário cubano. Para eles, Paladar é o nome que dão aos restaurantes particulares, que não pertecem ao governo. Existem regras para que não seja considerado restaurante, mas, em geral, parece que lá é muito comum as pessoas abrirem as portas de suas casas  para servir refeições a turistas e, com isso, complementar renda.

Mas, voltando… Maria de Fátima era vivida pela Gloria Pires, que ganhou minha antipatia na infância de tão má que era. Mas ela não brilhava sozinha, porque o elenco todo era bom. Vou te contar, não se fazem mais elencos como aquele! Até Lídia Brondi fez parte, formando um par romântico muito fofo (e sofrido) com Cassio Gabus Mendes.

E, sem querer me estender muito, vou dizer que é impossível falar de Vale Tudo sem parecer muito muito rasa, pois em um texto simples assim não vou conseguir dar a Heleninha Roitmann (Renata Sorrah) o número de linhas que ela merece. Aliás, essa é uma personagem marcante, que deve estar entre as top 10 das novelas brasileiras. Ainda hoje o nome Heleninha serve de alcunha para mocinhas que bebem além da conta. Ou não é?

A trilha sonora nacional começa com a clássica Brasil, da Gal Costa, tema de abertura da novela (que ganhou aquela versão literal pelo gênio Leo Prestes) e que marcou época. É um disco de grandes medalhões, como Maria Bethânia cantando Tá Combinado e João Bosco com Terra Dourada. Como não escondo minha preferência pelo pop rock, destaco Pense e Dance, do Barão Vermelho, com uma batida dançante e guitarra forte no refão. Outro destaque do lado A é A Sombra da Partida, do Ritchie, com sua voz de QUERUBIM (ns).

O lado B começa com É, do Gonzaguinha, que é o complemento da música da Gal que abre o lado A. Indignação com pandeiro ao fundo. A próxima faixa é do mestre Nico Rezende, Penso Nisso Amanhã. Ele é o rei das melodias fatais, que dom tem esse cara. A clássica Isto Aqui é o Que é, na voz do Caetano Veloso, também foi um ponto alto da trilha. E encerro a minha lista de destaques com Cazuza e a balada Faz Parte do Meu Show, uma das melhores letras dele.

A trilha internacional chega rasgando com Father Figure, do George Michael, esse clássico do álbum Faith. Hit obrigatório em qualquer coleção. A sequência com Where Do Broken Hearts Go, da Whitney Houston, também não ajuda muito o coração a se recuperar. Belinda Carlisle, no auge da carreira, vem com I Get Weak, uma balada muito oitentista (leia-se: perfeita). A música que fecha o lado A dispensa apresentações: Baby Can I Hold You, da Tracy Chapman. A voz dessa mulher é algo impressionante, impossível não amar.

A escolha para abrir o lado B foi muito feliz: Silent Morning, do Noel. Um dance com aquele sintetizador safado que só uma trilha sonora de 1988 poderia trazer. Esse lado é bem mais fraco que o anterior, por isso fecho ressaltando Paradise, da Sade, com aquele groove sensual que ela sempre fez muito bem.

Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Fera Radical (1988)

23/12/2010

Fera Radical era uma novela que não prometia muito, mas surpreendeu muita gente. Já disse, né? Malu Mader é musa. Difícil alguma coisa ficar ruim quando ela está envolvida. A personagem-título da trama, Claudia, foi a primeira protagonista da carreira de Miss Mader, uma heroína meio ambígua, daquelas que têm o apoio do público para o mal. Eu tinha 8 ou 9 anos e queria ser ela, andar de moto e ser independente.

A trama começava com Claudia ainda menina. Ao despertar no meio da noite, viu homens ateando fogo em sua casa, comandados por uma pessoa que usava botas com detalhes de prata. Esta era a única pista que tinha sobre o algoz de sua família, de quem prometeu se vingar. A novela se desenrolava em torno desse mistério, e, se à primeira vista não prometia ser muito animadora, com alguns capítulos já fez muita gente virar fã. A novela caiu nas graças do público e se tornou uma das maiores audiências do horário das seis.

Mas, apesar de todo o suspense, não era lá uma trama muito inovadora: Elias Gleiser já era um sombracelhudo bonachão e Zé Mayer já pegava geral.

A trilha sonora nacional não tem muitos destaques, talvez o maior deles seja a Carla Camurati (eterna) na capa.  Esse é um fato bastante recorrente na minha opinião, várias trilhas nacionais tem algumas músicas excelentes e várias lamentáveis, como é o caso dessa.

Tá, mas nem tudo é desgraça. A segunda faixa é A Cura, do Lulu Santos, uma das músicas mais geniais do pop brasileiro. Que melodia. Me sinto na obrigação de destacar CREMOSO, do Cesar Camargo Mariano, pelo nome e por ser uma música instrumental com a tecladeira oitentista tradicional. Retrato de uma época.

O mestre Almir Sater marca presença com Peão, uma canção com viola caipira de chorar. Mantendo o estilo, temos também Sá & Guarabyra, com Tabuleiro. Belo trabalho vocal, porém o arranjo TOO MUCH 80’S estraga o brilho, num caso desses. Vida Fácil, do Cazuza, é um blues daqueles que só a afetação de AGENOR é capaz de proporcionar.

O encerramento com a faíxa-título Fera Radical, da Solange, é um hino de quem via a novela direto. Refrão clássico e muitas lembranças na mente, encerrando com gana o disco.

A trilha internacional começa bombando muito com She’s Like The Wind, aquele dueto matador do Patrick Swayze e da Wendy Fraser na trilha do Dirty Dancing. O que fazerm além de ajoelhar e socar o ar em agradecimento? A balada Love Changes Everything, da Climie Fisher, é o clássico exemplar oitentista de boa música.

A sequência com Tell It To My Heart da Taylor Dayne torna as coisas ainda mais tensas. Um dos melhores dances do período, com introdução explosiva. Nem dá tempo de se recuperar e a paulada Living In A Box, da banda de mesmo nome, entra rasgando. Alguém disse que eles tocaram no já antológico M2000 SUMMER CONCERTS, mas juro que não lembro. Na dúvida, prefiro acreditar que foi verdade.

Até existem outras músicas interessantes na trilha, mas saber a hora de parar é uma benção. E como ando em busca da iluminação, seguirei esse conselho.

Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Mandala (1987/1988)

22/11/2010

Eu gostava de Mandala, mas acho que não vi inteira. Lembro dela, especialmente por causa do romance entre Vera Fischer (a Jocasta “madura”) e Felipe Camargo (o filho Édipo) na vida real. Foram anos de páginas em revistas de fofoca. Ainda assim, nunca me esqueci da cena do roubo do bebê no hospital por uma enfermeira loira. Poderia, inclusive, descrever o quarto e o figurino da Giulia Gam (a Jocasta jovem) no momento.

Hoje, pensando, fico pasma de ter visto ir ao ar uma trama cujo tema central era o incestuoso relacionamento entre mãe e filho. Como todos sabem, Mandala adpatou ao Rio de Janeiro o mito de Édipo, e, apesar de personagens condizentes com a realidade brasileira, esqueceu de um detalhe: os nomes. Quer dizer, foi proposital, mas, tipo assim, não foi legal. Alguém conhece alguma Jocasta por aí? Laio? Creonte? Podia ter mudado os nomes também, né?

Mas, voltando à trama, além do incesto, o Laio, pai do Édipo, era também bissexual e bicheiro. A Jocasta era filha de um comunista que tinha problemas com o governo e a polícia, situação ainda muito recente em um Brasil pós-ditadura militar. Obviamente não foi a versão original que foi ao ar. E a que foi ao ar jamais foi reprisada pela emissora. Porém, me impressiona mesmo assim.

E agora, depois de muito tempo sem escrever e fazendo o Egs perder as esperanças de continuar esta série, passo a bola pra ele falar do que realmente importa: a trilha.

Confesso que nunca ouvi a trilha nacional de Mandala. E ao ler a lista de faixas, fiquei sem vontade alguma. As honrosas exceções são a presença do clássico tema da Jocasta, O Amor e o Poder, da Rosana, e Eu Já Sei, dos Garotos da Rua, uma música pra chorar compulsivamente.

Por mais contraditório que possa parecer, só essas duas músicas valem do disco todo, portanto a aquisição é altamente recomendada.

Já a trilha internacional é um petardo do início ao fim. A dobradinha A Matter Of Feeling do Duran Duran e Didn’t We Almost Have It All da Whitney Houston arrasa qualquer coração. A presença de With Or Without You do U2 também não ajuda muito. E, como se não fosse suficiente, a definitiva Nothing’s Gonna Change My Love For You do Glenn Medeiros cimenta qualquer tentativa de seguir vivendo.

O lado B começa com a formidável Luka da Suzanne Vega e segue com Never Say Goodbye do Bon Jovi. Não há muito a dissertar sobre isso, apenas agradecer aos ceús. Para encerrar por cima, a excelente I Think We’re Alone Now da Tiffany faz lembrar do tempo em que comprar trilha sonora de novela era o auge da existência.

A melhor música de cada disco do Green Day

13/10/2010

Hoje é o grande dia: Green Day em Porto Alegre, algo que sonho há uns quinze anos, tranquilamente. E para aquecer para o show de logo mais à noite, resolvi fazer mais uma das já famigeradas listas. A tarefa foi HERCÚLEA, mas escolhi a melhor música de cada disco da banda. Aí vai:

Only Of You – 1,039/Smoothed Out Slappy Hours (1990)

Muita gente não sabe que uma das influências de Green Day é Hüsker Dü, grande banda dos anos 80. E Only Of You tem bastante influência desses caras. Inclusive, a parte do “Ohohoh” que rola mais pro fim da música é parecidíssima com a que rola em Standing In The Rain, do Hüsker. Grande canção, que me marcou muito e até hoje me emociona.

No One Knows – Kerplunk (1992)

Uma das músicas mais trabalhadas do começo da carreira do Green Day, No One Knows é linda demais. A introdução no baixo é perfeita e o refrão, muito poderoso. Num disco em que que todas as faixas são clássicas, essa consegue brilhar bastante. E isso é um mérito e tanto.

Pulling Teeth – Dookie (1994)

Escolher apenas uma música do Dookie é praticamente impossível, já que foi o disco que me fez conhecer a banda. Todas as faixas são muito especiais para mim, mas escolhi Pulling Teeth, por ter sido uma das mais ouvidas na minha adolescência, quando eu me apaixonava por uma nova guria a cada semana. E por ser uma canção de amor muito bizarra, sempre me agradou demais.

86 – Insomniac (1995)

Disco que representou minha quebra de contato com Green Day por um tempo, Insomniac foi o último disco da banda que ouvi na época em que saiu, atitude retomada apenas no American Idiot. Tem muita música boa, com destaque para 86 e seu refrão simples, porém matador. E descobri recentemente que a letra é sobre ser expulso da cena underground, coisa que o Green Day sabe muito bem como é.

Uptight – Nimrod (1997)

Mesmo tendo acabado de dizer que dei uma pausa em Green Day depois do Insomniac, ainda acompanhei a banda, especialmente os clipes. Percebi que eles contiuavam fazendo músicas do caralho e cogitei seriamente escolher uma canção que tinha clipe para colocar aqui. Mas ao descobrir Uptight, todas as outras faixas pareciam menores. Guitarrinha melancólica no começo e refrão como só eles sabem fazer.

Waiting – Warning (2000)

Este é um dos poucos casos em que uma música salta muito na frente das outras num disco do Green Day. Waiting é claramente superior às demais do Warning. As pausas com a guitarra limpa e depois a explosão com baixo e batera são excelentes. É o tipo de música que nasceu para ser hit.

Extraordinary Girl – American Idiot (2004)

Apesar do começo ter um clima meio bizarro, com batucadas tribais e sons soturnos, tudo volta ao normal com a primeira estrofe, detonando geral. O refrão dessa música é um dos maiores motivos para afirmar que Billie Joe Armstrong é um gênio das melodias. Baita canção.

Murder City – 21st Century Breakdown (2009)

Mais uma melodia letal, Murder City já começa quebrando tudo, com a batera a mil. O riff é muito forte e, só para variar, o refrão é grudento, com uma caída legal e que achei bem inesperada na primeira vez que ouvi. Predileta da casa, aqui.

Depois dessa seleção, é só separar a camiseta da banda e rezar para não ter um AVC na primeira música do show. FUI.

Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Brega & Chique (1987)

21/09/2010

Vou dizer uma coisa pra vocês: a sorte é que meu editor é muito tranquilo, senão já teria sido demitida da minha função de comentar sobre novelas. Eu gosto, adoro, mas não tenho conseguido parar e me concentrar. Até porque esse espaço merece um texto elaborado, não combina com qualquer coisa, né? :p

Então, vamos lá que o papo de hoje é Brega & Chique. E vamos começar do começo.

Quem é que não lembra da abertura com o “pelado, pelado, nu com a mão no bolso” caminhando de costas, com a bunda – bela bunda, aliás – de fora? Pois me lembro bem de ter visto na estreia e de ter achado engraçado. Mas, claro, nem todo mundo achou. E foram votos vencidos aqueles que tentaram desafiar os bons costumes do nosso povo elitizado – que dança o créu na velocidade cinco, mas acha feio ficar sem cueca na TV –, pois o moço teve que cobrir a retaguarda com uma folhinha cretina inspirada nos tapa-sexos imaginários de Adão e Eva.

Abertura original

Abertura censurada

E, como se não bastasse, a abertura ainda trazia o contraste de mulheres bregas e chiques, sem se dar conta que aquilo tudo ocorria nos anos 80 e que visual chique não era o forte da época. Saudosa época, aliás, em que minha única obrigação era recortar e colar sílabas no meu caderno brochura de linhas verdes como exercício para aprender a ler e escrever. Eu tinha seis anos.

A novela era divertida, diferente e apelava para um feminismo que fez sucesso. Para quem não lembra/não conhece, contava a história de duas mulheres, uma rica e outra pobre (uma brega e outra chique), que moravam em bairros distantes e tinham vidas completamente diferentes, mas dividiam o mesmo marido, que administrava esses relacionamentos paralelos sem que elas desconfiassem. O homem em questão era o Jorge Dória, excelente para o tipo de humor nervoso do personagem, que depois se descobriu ter uma terceira mulher. Mas o fato é que, para se livrar da falência, o sacana bola um plano e desaparece, fazendo com que as duas troquem de status social.

Depois ele reaparece, já com a cara e peso do Raul Cortez e outro nome. As mulheres acabam se tornando amigas e protegendo uma à outra, e voltando-se contra ele. E, com o dedo do Jorge Fernando na direção, não tinha como fugir dos gritedos, barracos e confusões exageradas.

Com um elenco que pouco se vê nas novelas atuais, Brega & Chique reuniu em 173 capítulos <faustão mode on> monstros sagrados <faustão mode off> e figurinhas carimbadas da teledramaturgia brasileira. Marília Pêra e Glória Menezes eram as personagens centrais, que dividiam os louros da audiência com Jorge Dória, Marco Nanini, Raul Cortez, Denis Carvalho, Marcos Paulo, Patrícia Pillar, Cássia Kiss, Cássio Gabus Mendes, Patrícia Travassos, Nívea Maria e Tato Gabus.

Não dá para falar de Brega & Chique sem falar em sacanagem. Desde a abertura com o magrão com a bunda – bela bunda, aliás – de fora, passando pela maior de todas: mais uma música lamentável da Rita Lee – Pega Rapaz -, em trilha de novela. A vergonha alheia que sinto das músicas dela é colossal. Como disse minha esposa ao ouvir essa música: “Bem que ela podia ter se atirado da janela no lugar do Arnaldo Baptista”. Amém.

Mas já que não há nada a ser feito, sigamos com a análise. Sem Peso e Sem Medida, do Fábio Jr, vem na sequência, naquele clima bem característico do pai do Fiuk. Aí vem Lulu Santos, o gênio supremo, e deixa tudo mais lindo com Um Pro Outro. Impressionante o dom de fazer melodias letais que ele tem. A presença de Cowboy Fora da Lei, do Raul Seixas, também abrilhanta a trilha.

O tema de abertura, Pelado, do Ultraje A Rigor, é um hit eterno, que eu cantava alto enquanto via os créditos da novela. A trilha já teria motivos suficientes para ser exaltada, mas ainda assim há mais surpresas, como Blá-Blá-Blá… Eu Te Amo, do Lobão. Um ótimo álbum, em resumo.

A trilha internacional começa com Boy George dando (ui) show em Everything I Own, uma regueira das boas. Depois vem uma balada da Janet Jackson, Let’s Wait Awhile, daquelas que só em 1987 as pessoas sabiam fazer. No Promises, do Icehouse, é a típica música que eu já ouvi um milhão de vezes e não sabia o nome, até fazer esse post. Velha conhecida, com certeza.

Há também um momento LOVE METAL no disco, com a formidável Is This Love, do Whitesnake. Diria que TODA trilha deveria ter essa música, podia ter uma espécie de decreto obrigando a inclui-la na novela. Seria lindo. No lado B, I Want Your Sex é o grande destaque, com George Michael no auge. E para dizer que não falei de dance, Head To Toe, da Lisa Lisa & The Cult Jam marca presença, com aquela parede de sintetizadores que só os anos 80 trazem para você. Conclusão: trilha mais que recomendada.

Here we go again

09/09/2010

Há uma faixa na arquibancada inferior do Beira-Rio que diz o seguinte: SOMOS A RESISTÊNCIA. Não quero entrar em questões clubísticas, a faixa poderia estar no Olímpico ou em qualquer outro estádio do Brasil. O que importa aqui é a mensagem escrita, que tem muito a ver com o evento que se realizará neste próximo sábado, no Garagem Hermética: o TRIBUTO LOVE METAL.

Me identifico totalmente com a frase porque é assim que enxergo uma festa como essa, que se propõe a tocar músicas que há tempos foram esquecidas pelo grande público, muitas vezes sendo consideradas bregas, velhas, datadas ou qualquer outro adjetivo depreciativo que se possa pensar. Pois para pessoas como o Leo Mereu, organizador do evento, nada poderia estar mais longe da verdade. As canções tocadas são parte do passado, do presente e certamente do futuro dele.

Pessoas como ele e eu acreditam tanto nesse tipo de som que se prestam a ensaiar músicas, gravar cds, escrever releases e mostrar para todo o mundo que baladas e rocks são a melhor combinação que se pode ter. E é justamente isso que espera quem for ao Garagem no dia 11 de setembro: um bombardeio sonoro poucas vezes visto em Porto Alegre.

Mereu estará incendiando o palco no comando da banda que leva o mesmo nome da festa e eu estarei na discotecagem, garantindo que ninguém saia do recinto sem derramar ao menos uma lágrima. São eventos assim que nos mantêm vivos e é por isso que encaramos com muita gana o desafio de fazer uma noite inesquecível, com a mesma paixão que aquelas bandas que terão suas músicas executadas lá colocaram na hora de compor esses clássicos absolutos.

Vá e comprove que levamos esse papo de AMOR e METAL muito a sério.

Sábado, 11/09 – 23h

Garagem Hermética – Barros Cassal, 386

Mandando email para visceralproducoes@gmail.com o ingresso fica por míseros R$ 8. Na hora, o ingresso é R$ 12.

Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – O Outro (1987)

06/09/2010

Vou dizer uma coisa pra vocês: se tem Malu Mader só pode ser bom. Certo? Certo. Dito isso, podemos ir em frente. Em O Outro, novela com dose dupla de Francisco Cuoco, ela era Glorinha da Abolição, ex-menina de rua que, graças às reviravoltas do mundo das novelas, termina como filha do milionário da história. Além disso, era a única com um cabelo decente. Reparem:

Obviamente, não me lembro bem de todos os detalhes, mas adorava o clima urbano e acompanhava ansiosa a trama. Torcia para que, no fim, a Glorinha não ficasse com o Francisco Cuoco, que era velho e feio. Para quem não lembra, a novela contava a história do homem humilde, sósia de um milionário por quem se faz passar após um acidente envolvendo os dois. O homem humilde era Denizard Matos. O milionário era Paulo Dell Santa. E os dois eram Francisco Cuoco. Denizard teva um affair com Glorinha e Paulo era, na verdade, seu pai. No final, o rico reaparece, o pobre volta pro ferro-velho dividido entre três mulheres, mas acaba voltando para a sua suburbana sensual, Índia do Brasil, vivida por Yoná Magalhães.

As duas trilhas sonoras de O Outro são excelentes. A nacional tem grandes clássicos do pop rock brasileiro, como O nosso amor a gente inventa (Estória Romântica), do Cazuza, e Doublé de Corpo, dos Heróis da Resistência, banda do Leoni, maior compositor do Brasil de todos os tempos. A sequência da trilha tem a maravilhosa Esquece e Vem, do Nico Rezende, comandada pelo baixo fretless e pelo climão no teclado.

Como se não bastassem todos esses clássicos, há ainda a memorável Kátia Flávia, do Fausto Fawcett & Os Robôs Efêmeros, seguida por Amanhã é 23, do Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens (sim, as bandas dos anos 80 tinham os piores nomes possíveis). Ainda como destaques no quesito pop rock, há músicas do Barão Vermelho (Quem me olha só) e Ira (Flores em Você), fechando essa bela trilha.

Antes mesmo de ouvir a trilha internacional, o sujeito já é fulminado pela vibe FEMME FATALE da Malu Mader na capa. Se conseguir abstrair e reunir forças para retirar o vinil do plástico, o cidadão será BOMBARDEADO por um arsenal de baladas que fariam o Love Songs da Cidade parecer o Arrasa Quarteirão da Ipanema. São tantas que apenas as listarei aqui, pois acho que isso basta para avaliar o estrago que causam:

– COMING AROUND AGAIN – Carly Simon
– DON’T DREAM IT’S OVER – Crowded House
– THE MIRACLE OF LOVE – Eurythmics
– YOU’RE THE VOICE – John Farham
– WORDS GET IN THE WAY – Gloria Estefan & Miami Sound Machine
– THIS LOVE – Bad Company
– DON’T GET ME WRONG – Pretenders
– TWO PEOPLE – Tina Turner
– I’LL BE OVER YOU – Toto

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