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Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – O Salvador da Pátria (1989)

08/09/2011

Assim, na verdade verdadeira, me lembro muito pouco de O Salvador da Pátria. Pra ser sincera, não me lembro nem se eu assisti à novela, mas algumas memórias eu tenho. Nada de muito significante, mas eu repetia com frequência “Meninos, eu vi”, bordão de Juca Pirama no programa de rádio.
Fora isso, a memória não ajuda e são apenas alguns flashbacks sem sentido. Desconfio que é pela temática. Lendo a sinopse, vi que a novela abordava fortemente a questão política, tentando fazer um elo com o Brasil da época. Provavelmente, eu não entendia aquilo. Eu me irritava com o Sassá Mutema e achava totalmente fora de propósito o romance dele com a professorinha. Hoje, avaliando, acho que gostaria de assistir. Quem sabe no Viva, né?
E, para justificar este raso comentário (não que os outros sejam profundos, mas enfim): ele só existe por conta da trilha sonora. Né, EGS?
A trilha sonora nacional tem pérolas como a versão da Simone para O Tempo Não Pára e a formidável balada Direto no Olhar, da Rosana. Como costumo repetir à exaustão: THEY JUST DON’T MAKE THEM LIKE THIS ANYMORE. A porção hard rock vem com Wander Taffo em Pra Dizer Adeus, sonzeira com guitarras como manda a etiqueta.
A clássica Lua e Flor do Oswaldo Montenegro tocava em tudo que era lugar na época, impossível não conhecer o verso “Eu amava como amava algum cantor de qualquer clichê de cabaré, de lua e flor”. E para fechar, mais hard rock, com Yahoo tocando Delicious.
A trilha internacional deveria vir acompanhada de um desfibrilador, porque a tracklist é muito perigosa. Abrir um disco com Hold Me In Your Arms, do Rick Astley, é para poucos. Seguir com Two Hearts, do Phil Collins, só piora a situação. Daí vem a diva Whitney Houston com One Moment In Time. A coisa começa a virar agressão gratuita com I’ll Be There For You, do Bon Jovi, e atinge níveis estratosféricos de maldade com Girl You Know It’s True, do Milli Vanilli.
Depois disso tudo, não sobra muito para o lado B do vinil, mas ainda assim os trabalhos são abertos com Domino Dancing, do Pet Shop Boys. E seguem bem com uma versão para Baby I Love Your Way, do Will To Power, e Lost In Your Eyes, da Debbie Gibson. Encerrando de vez, temos o METAL CRISTÃO do Stryper, com I Believe In You. O ecletismo dessas trilhas sonoras jamais vai deixar de me espantar – e fascinar.

Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Vale Tudo (1988)

29/06/2011

Considerada um marco na televisão brasileira, esta obra do mestre Gilberto Braga é inesquecível. Com todas as tramas paralelas bem relacionadas e sua atmosfera suburbana – característica do autor – Vale Tudo ficou marcada, entre outras coisas, por ter sido a primeira novela em que o vilão (Marco Aurélio, muito bem interpretado pelo Reginaldo Faria, diga-se de passagem) se dá bem no final. Quem aqui não lembra dele fugindo impunemente com milhões de dólares na maleta e fazendo sinal de “banana” pro país?

Acho que é daí que vem o grande mérito de Vale Tudo: o fato de ter sido uma das poucas novelas que conseguiram trazer para a telinha a discussão sobre honestidade sem cair no politicamente correto. Do contrário, Marco Aurélio seria preso ou ficaria louco (este tem sido o fim preferido dos autores recentes para seus vilões), mas jamais fugiria numa boa e debochando. Outro fato que fez a novela ser assunto em rodas de discussão foi a resposta à pergunta “Quem matou Odete Roitmann?”. O suspense, descobri hoje, durou apenas 13 dias, mas na minha memória foi muito mais.

A trama principal de Vale Tudo girava em torno de Maria de Fátima, moça ambiciosa do interior, que vende a casa que mora com a mãe sem que ela saiba, e vai tentar a vida no Rio de Janeiro sozinha. Por outro lado, a mãe, humilde e gentil, que ganha a vida de forma honesta, fica rica de repente com a venda de sanduíches na praia, que vem a formar a empresa Paladar. Sobre isso, uma curiosidade: na época em que fazia minha monografia, eu pesquisei muito sobre as novelas enquanto produto da cultura brasileira, e uma das coisas que descobri é que em Cuba eles são loucos por novelas. E foi por causa delas que eles incorporaram o termo Paladar no vocabulário cubano. Para eles, Paladar é o nome que dão aos restaurantes particulares, que não pertecem ao governo. Existem regras para que não seja considerado restaurante, mas, em geral, parece que lá é muito comum as pessoas abrirem as portas de suas casas  para servir refeições a turistas e, com isso, complementar renda.

Mas, voltando… Maria de Fátima era vivida pela Gloria Pires, que ganhou minha antipatia na infância de tão má que era. Mas ela não brilhava sozinha, porque o elenco todo era bom. Vou te contar, não se fazem mais elencos como aquele! Até Lídia Brondi fez parte, formando um par romântico muito fofo (e sofrido) com Cassio Gabus Mendes.

E, sem querer me estender muito, vou dizer que é impossível falar de Vale Tudo sem parecer muito muito rasa, pois em um texto simples assim não vou conseguir dar a Heleninha Roitmann (Renata Sorrah) o número de linhas que ela merece. Aliás, essa é uma personagem marcante, que deve estar entre as top 10 das novelas brasileiras. Ainda hoje o nome Heleninha serve de alcunha para mocinhas que bebem além da conta. Ou não é?

A trilha sonora nacional começa com a clássica Brasil, da Gal Costa, tema de abertura da novela (que ganhou aquela versão literal pelo gênio Leo Prestes) e que marcou época. É um disco de grandes medalhões, como Maria Bethânia cantando Tá Combinado e João Bosco com Terra Dourada. Como não escondo minha preferência pelo pop rock, destaco Pense e Dance, do Barão Vermelho, com uma batida dançante e guitarra forte no refão. Outro destaque do lado A é A Sombra da Partida, do Ritchie, com sua voz de QUERUBIM (ns).

O lado B começa com É, do Gonzaguinha, que é o complemento da música da Gal que abre o lado A. Indignação com pandeiro ao fundo. A próxima faixa é do mestre Nico Rezende, Penso Nisso Amanhã. Ele é o rei das melodias fatais, que dom tem esse cara. A clássica Isto Aqui é o Que é, na voz do Caetano Veloso, também foi um ponto alto da trilha. E encerro a minha lista de destaques com Cazuza e a balada Faz Parte do Meu Show, uma das melhores letras dele.

A trilha internacional chega rasgando com Father Figure, do George Michael, esse clássico do álbum Faith. Hit obrigatório em qualquer coleção. A sequência com Where Do Broken Hearts Go, da Whitney Houston, também não ajuda muito o coração a se recuperar. Belinda Carlisle, no auge da carreira, vem com I Get Weak, uma balada muito oitentista (leia-se: perfeita). A música que fecha o lado A dispensa apresentações: Baby Can I Hold You, da Tracy Chapman. A voz dessa mulher é algo impressionante, impossível não amar.

A escolha para abrir o lado B foi muito feliz: Silent Morning, do Noel. Um dance com aquele sintetizador safado que só uma trilha sonora de 1988 poderia trazer. Esse lado é bem mais fraco que o anterior, por isso fecho ressaltando Paradise, da Sade, com aquele groove sensual que ela sempre fez muito bem.

Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Mandala (1987/1988)

22/11/2010

Eu gostava de Mandala, mas acho que não vi inteira. Lembro dela, especialmente por causa do romance entre Vera Fischer (a Jocasta “madura”) e Felipe Camargo (o filho Édipo) na vida real. Foram anos de páginas em revistas de fofoca. Ainda assim, nunca me esqueci da cena do roubo do bebê no hospital por uma enfermeira loira. Poderia, inclusive, descrever o quarto e o figurino da Giulia Gam (a Jocasta jovem) no momento.

Hoje, pensando, fico pasma de ter visto ir ao ar uma trama cujo tema central era o incestuoso relacionamento entre mãe e filho. Como todos sabem, Mandala adpatou ao Rio de Janeiro o mito de Édipo, e, apesar de personagens condizentes com a realidade brasileira, esqueceu de um detalhe: os nomes. Quer dizer, foi proposital, mas, tipo assim, não foi legal. Alguém conhece alguma Jocasta por aí? Laio? Creonte? Podia ter mudado os nomes também, né?

Mas, voltando à trama, além do incesto, o Laio, pai do Édipo, era também bissexual e bicheiro. A Jocasta era filha de um comunista que tinha problemas com o governo e a polícia, situação ainda muito recente em um Brasil pós-ditadura militar. Obviamente não foi a versão original que foi ao ar. E a que foi ao ar jamais foi reprisada pela emissora. Porém, me impressiona mesmo assim.

E agora, depois de muito tempo sem escrever e fazendo o Egs perder as esperanças de continuar esta série, passo a bola pra ele falar do que realmente importa: a trilha.

Confesso que nunca ouvi a trilha nacional de Mandala. E ao ler a lista de faixas, fiquei sem vontade alguma. As honrosas exceções são a presença do clássico tema da Jocasta, O Amor e o Poder, da Rosana, e Eu Já Sei, dos Garotos da Rua, uma música pra chorar compulsivamente.

Por mais contraditório que possa parecer, só essas duas músicas valem do disco todo, portanto a aquisição é altamente recomendada.

Já a trilha internacional é um petardo do início ao fim. A dobradinha A Matter Of Feeling do Duran Duran e Didn’t We Almost Have It All da Whitney Houston arrasa qualquer coração. A presença de With Or Without You do U2 também não ajuda muito. E, como se não fosse suficiente, a definitiva Nothing’s Gonna Change My Love For You do Glenn Medeiros cimenta qualquer tentativa de seguir vivendo.

O lado B começa com a formidável Luka da Suzanne Vega e segue com Never Say Goodbye do Bon Jovi. Não há muito a dissertar sobre isso, apenas agradecer aos ceús. Para encerrar por cima, a excelente I Think We’re Alone Now da Tiffany faz lembrar do tempo em que comprar trilha sonora de novela era o auge da existência.

Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Cambalacho (1986)

09/08/2010

Ao fazer uma pesquisa nas minhas memórias sobre Cambalacho, me lembro exatamente de ter questionado minha mãe sobre o que significava a palavra. “Trambique, sacanagem”, me disse dona Isolete. Engraçado que isso ficou tão fixo na minha mente, que ficava analisando as tramoias dos personagens para saber se agiam corretamente ou não. Talvez, eu tenha entendido – como crianças entendem as coisas – o recado de Silvio de Abreu quando escreveu a novela, que, hoje, avalio, condenava o mau-caratismo associado à ambição.

Eu era pequenina, mas tinha um senso de justiça bem aguçado e batia nos coleguinhas que mentiam. E me achava super correta. Mas, sendo realista, não quis dizer que a temática fosse inédita, porque sabemos que não era. Mas, pra mim, foi importante porque foi quando eu comecei a ter noção sobre isso.

Cambalacho foi uma novela querida e me arrisco ao dizer que não era feita somente de estereótipos. Tinha, sim, a mocinha e a vilã, e todos os outros componentes, mas a mocinha em questão era também uma trambiqueira que caiu no gosto do público porque tinha bom coração. Mas fez história e rendeu boas risadas, bem ao estilo cômico de Silvio de Abreu. Afinal, quem é que não lembra da conturbada relação de Ana Machadão (Débora Bloch) e Antero (Edson Celulari)? Ou das magias de Tina Pepper (Regina Casé) para conquistar o coração do seu amado (Paulo César Grande)?

Confesso que não me recordo, mas cambalacho devia ser uma palavra da moda na época, porque foi usada na música Tô P da Vida, do Dominó, no disco deles de 1987. Infelizmente, ela não está presente nesta trilha sonora, por isso falarei das que de fato estão presentes.

O disco começa com Perigosa, do Syndicatto. O único perigo aqui é a pessoa ter uma lesão auditiva, de tão ruim que é a música. Parece Mas Não É do Carbono 14 tem uma pilha Jovem Guarda embebida de new wave. Uma mistura estranha, mas que até não ficou ruim. O tema de abertura, Cambalacho do Walter Queiróz, tem uma levada caribenha, muito em voga na época e bastante recorrente em várias outras aberturas de novelas.

Filho da Cidade do Sergio Dias é um pop que transborda anos 80. Até demais, sejamos francos. Mas ele tem crédito, por todos os serviços prestados ao rock. A trilha tem até samba de raiz, com Deus Nos Acuda do Fundo de Quintal. Um dos destaques da trilha nacional, sem dúvida.

A trilha internacional começa com a balada Captain of Her Heart, do Double, e seu pianinho maroto. Depois vem a clássica Bad Boys, da Gloria Estefan and The Miami Sound Machine. Um dance pegado, que marcou época. Outro destaque é Greatest Love of All, da Whitney Houston. Ela comanda o universo, não adianta. Pena que NADOU NO CRACK nos últimos anos.

Better Be Good to Me da Tina Turner é um pop excelente, com um riff marcante. E esse disco é tão recheado de baladas que até o ZZ Top ataca com uma, Rough Boy. A conclusão a que chego é que 1986 foi um bom ano para baladas, para o bem de toda a humanidade.