Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Bebê a Bordo (1988/1989)

 

 

 

Depois de falar aqui da memorável Heleninha, bêbada e louca por um mambo, chegou a vez de outra. E não, não é novela do Manoel Carlos. Bebê a Bordo, aliás, não tem nada em comum com o autor das novelas que se passam no Leblon. A Heleninha da vez é um bebê, filha de mãe solteira que veio ao mundo enquanto a mãe fugia da polícia, pelas (peludas) mãos de Tony Ramos, o tímido Tonico.

A novela é de Carlos Lombardi, típica do estilo dele, embora com menos homens sem camisa desfilando de pijamas sem cuecas do que o habitual, é verdade. Mas taí o Tonico, o mocinho paspalhão, que não nega a origem. E, apesar do estilo das sete, se quiser ir a fundo dá até para levar a sério. Bebê a Bordo tinha um apelo forte sobre relações entre pais e filhos. A personagem central, Ana (Isabela Garcia), foi abandonada quando criança pela mãe Laura (Dina Sfat, em seu último trabalho na TV) e, como mãe solteira de Heleninha, também abandonou a criança, que tinha uma lista de pretendentes a pai. Dois dos possíveis candidatos, os irmãos Rico e Rei (interpretados pelos Guilhermes Leme e Fontes quando ainda serviam para colírios), também tinham sido deixados para trás pelo pai e nunca nem falaram a respeito da mãe. Enquanto isso, outros personagens tinham mães presentes ou permissivas demais.

De resto, me lembro muito pouco da novela, mas reconheço que ela foi importante para a minha compreensão de realidade x fantasia. Afinal, até uma criança de 8 anos sabe que essa coisa de Ninguém Segura este Bebê que Heleninha vivia era só na ficção. E sei, podia falar do Leo Jaime ator, mas vou deixar a responsa com o EGS, que é mil vezes mais talentoso do que eu.

Uma trilha sonora que começa com Mordida de Amor do Yahoo só pode ser interessante. Como todos sabem, essa versão é superior à original do Def Leppard e marcou a vida de todo mundo que viveu os anos 80. A sequência com Adoro, do Léo Jaime, garante a cota de participações dele em trilhas de novelas.

O grande Dalto contribui com Quase Não Dá pra Ser Feliz e a Marina com Preciso Dizer que Te Amo. Do lado B, destaque para a Joanna com Amor Bandido e o Emílio Santhiago com a clássica Ronda. A trilha nacional até que não é das melhores, pois a proporção de baladas para músicas de dançantes não é equilibrado, o que considero um pecado. Mas tem o seu valor.

A trilha internacional é claramente superior, começando com I Don’t Wanna Go On With You Like That, do Elton John, na melhor fase da sua carreira. Mal o cara se recupera e já vem Housemartins com Build, a famigerada MELÔ DO PAPEL. Maior do que toda a carreira posterior do Fat Boy Slim, que nessa época fazia baladas fatais. 1,2,3 da Gloria Estefan & Miami Sound Machine traz um clima latino pro disco, que tem várias baladas definitivas.

Tanto é verdade que o lado B começa com I Don’t Want To Live Without You, do Foreigner, canção tão conhecida de quem ouve Antena 1 (maior rádio). Mas se engana quem acha que esse é o auge do álbum. Ainda há duas pérolas antes do bolachão terminar: Strangelove, do Depeche Mode, e Never Tear Us Apart, do INXS. Convenhamos que, com petardos assim, não dá vontade de parar de ouvir a trilha.

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