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Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Ti ti ti (1985/1986)

29/07/2010

Já que o EGS me chamou de especialista, vou ter que, pelo menos, tentar me comportar como tal. Mas aviso: o mais próximo que cheguei disso foi quando fiz minha monografia sobre novelas. Foi super divertido, mas o resultado é irrelevante para o resto do mundo. E já faz alguns anos, então, não muda muito.

Hoje o assunto é Ti ti ti, novela que passou na mesma época em que Roque Santeiro, e da qual me lembro vagamente. Confesso que tive que recorrer ao oráculo para me relembrar da trama original. Porque, se me perguntassem, de cara eu ia dizer que tudo que me vinha à mente era Victor Valentin e o batom Boka Loka, que eu queria muito, mas não tinha idade para me maquiar (agora, talvez eu possa ter um, já que rolam burburinhos por aí de que o produto será relançado). Minha rápida pesquisa ajudou, ainda mais depois que resolvi fazer o tema de casa e assistir ao remake que está sendo exibido pela Globo.

A novela mudou, sem dúvida, até porque precisava se atualizar desde sua estreia há 25 anos, e também porque foi misturada à trama de Plumas e Paetês (esta eu não vi, obviamente), além de trazer de volta personagens de sucesso de outras novelas, como o Mario Fofoca, por exemplo. De qualquer maneira, os personagens parecem fieis, mas tudo é mais exagerado. O antigo Victor Valentin, vivido por Luís Gustavo, era muito mais excêntrico do que promete ser Murílo Benício, mas, em compensação, o atual tem um perfil bem mais cômico do que o original. Já Reginaldo Farias, o Jacques Leclair da primeira versão, era bem mais tradicional do que Alexandre Borges no remake.

Mesmo assim, acredito que há chances de ser uma boa novela, hilária como pede o horário das 19h. Porém, eu sempre levo um pouco de medo quando tem a mão do Jorge Fernando, porque, embora eu goste dele, acho que o excesso de barracos, típico das produções dele, tende a cansar o público.

A trilha sonora ainda não foi divulgada, mas dizem por aí – e como se vê na abertura e nas chamadas – que algumas músicas antigas farão parte da nova trilha.

A trilha nacional de Ti ti ti já começa com o tema de abertura, da banda Metrô. Como todo new brasileiro da época, a música é tosca demais. Vale como registro histórico e só. A coisa começa a mudar de figura com Não Diga Nada, do Prêntice (pior nome DE TRABALHO). Na verdade, só fui lembrar da música quando ouvi a trilha e me dei conta que já conhecia, mas numa versão cantada pelo RODRIGO FARO (eterno). Bela canção.

Lobo do Absyntho é outra música new wave, mas é bem melhor do que o tema da novela, ao menos. Troca-troca dos Fevers é outra que esbanja anos 80 a cada nota. Nada Por Mim da Marina é um clássico conhecido por todos, nem que seja na versão original dos Paralamas do Sucesso. O lado B é mais fraco, por isso não destacarei nada. Vamos para a outra trilha, pois.

A trilha internacional começa demolindo o universo, com Lover Why do Century. A prova de que essa música é excelente é o fato de ela estar na coletânea LOVE METAL. Desconheço praticamente todas as bandas dessa trilha, por isso me aterei às que são confirmadas. Hot Shot do Jimmy Cliff é uma aula de sintetizadores e bateria eletrônica, com aquele clima caribenho safado de fundo.  Sade é garantia de MAKE OUT SONG e Hang On to Your Love não é diferente. Rola aquela linha de baixo hipnótica e a guitarrinha marota de sempre.

Does Anybody Know Me do Lipps Inc. (a banda de Funky Town da trilha de Shrek 2, para quem não conhece) é um som disco tradicional, parece até meio deslocada, aqui. Mas é uma boa música, que empolga. E esses são os pontos altos da trilha. Não são muitos, eu sei, mas as próximas trilhas serão cobertas de destaques. AGUARDEM.

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Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Roque Santeiro (1985/1986)

27/07/2010

Hoje começa uma série de grande VALOR AFETIVO aqui no blog. Convidei a querida Mariella Taniguchi, que costumava escrever aqui e agora pode ser encontrada mais facilmente aqui, para mostrar todo o seu conhecimento sobre NOVELAS, maior produto fabricado no Brasil. Ela vai escrever sobre as novelas em si, já que é uma especialista no assunto, e eu vou falar sobre as trilhas sonoras, até porque música é a única coisa que sei falar a respeito.

Começaremos com a primeira novela que temos registros mentais: ROQUE SANTEIRO, por muitos considerada a melhor novela de todos os tempos. Apreciem!

Eu sempre fui noveleira. Lembro detalhes, músicas e nomes de personagens de muitas novelas que se passaram até aqui. A primeira que me vem fresquinha à memória é Roque Santeiro. Na verdade, eu tinha só 4 anos (a novela acabou dois dias depois de eu completar cinco) e me esforçava muito pra ficar acordada até tarde para poder ver o lobisomem. Aquilo me apavorava, mas me enchia de curiosidade. Confesso que fiquei algumas noites sem dormir com medo que meu pai pudesse virar bicho também.

O fato é que, com alguns dias de esforço, consegui manter meus olhos de japa abertos para assistir à novela mais sensacional que já passou na televisão brasileira. Claro que muitos detalhes eu só pude perceber no Vale a pena ver de novo, mas o importante é que a novela me marcou de várias maneiras. Me lembro de brincar de Viúva Porcina e de pedir “Miiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiirna, traga meu suco de pitanga”, com meu conjuntinho de chá rosa pink. Às vezes, colocava correntes no braço para imitar o Senhozinho Malta também.

Além disso, foi nesta época também que eu descobri a existência de Roupa Nova e ganhei meu primeiro LP “de mocinha”. O Roupa Nova 1985 passava horas na vitrola. Depois, vieram Herança e Luz. Mas aí, acabei abandonando o hábito. Era difícil concorrer com Dominó e Polegar, na época.

Roque Santeiro teve duas trilhas sonoras, ambas nacionais. Mas a mais significativa é a primeira, com a Regina Duarte na toda poderosa na capa. A abertura com Isso aqui tá bom demais do Dominguinhos marcou época, impossível alguém não lembrar. Sem pecado e sem juízo da Baby Consuelo é outro ponto alto da trilha, uma balada excelente. Outra música lenta (percebam a idade de quem escreve através do uso dessa expressão) é Chora Coração, do Wando, com um violão que dilacera a alma.

Mistérios da Meia-noite do Zé Ramalho mereceria um post só seu, de tão impressionante que é. Assim como a Mariella, eu também me borrava de medo dessa música, com medo que um lobisomem fosse aparecer na minha casa. O tema de abertura da novela, Santa Fé do Moraes Moreira, fez história junto com a (para a época) modernosa mescla de miniaturas e cenários gigantes.

O lado B do disco abria com Dona, do Roupa Nova, composta por Sá e Guarabira. Mostrando porque é a maior banda brasileira, o Roupa dá uma aula de interpretação no tema da Viúva Porcina. De chorar, realmente. De Volta pro Aconchego da Elba Ramalho é outro ponto alto, junto com Coração Aprendiz, da Fafá de Belém. Em resumo, só tem figurinha carimbada na trilha sonora dessa novela que foi a única até hoje a alcançar 100 PONTOS DE AUDIÊNCIA. Não é para qualquer uma.

Grandes Currículos da Música: Phil Collins

05/07/2010

A carreira do PHIL COLLINS remonta ao tempo em que ele fazia parte do Genesis, quando a banda ainda fazia rock progressivo, mas como não curto esse tipo de som, destacarei apenas a carreira solo, que possui hits absurdamente bons.

Obrigatório começar pela clássica In The Air Tonight, do primeiro disco solo, e que foi usada genialmente no comercial do chocolate Cadbury e também no filme Se Beber, Não Case. Acabou se tornando um ícone da cultura pop, e com razão.

Provando que também sabe compor para trilhas de filmes, o Phil Collins gravou Against All Odds, para o filme homônimo. Balada definitiva, que reforça a certeza de que, quando ele senta ao piano, poucos músicos chegam perto do seu talento.

No mesmo ano, 1984, Phil Collins parecia estar POSSUÍDO, de tantas músicas boas que escreveu. Esta aqui foi em parceria com o Phillp Bailey, um dueto que marcou época e gerou inclusive uma versão em português, chamada Inflamável e cantada pela banda CICLONE. Mas vamos à original:

Impossível não lembrar do álbum …But Seriously (maior nome), que produziu dois dos maiores hits do cantor. Tentei escolher apenas um para colocar aqui, mas falhei miseravelmente. Aqui vai o primeiro, que todo mundo conhece.

E para fechar com chave de ouro, aquela que considero ser a melhor música dele, também do disco de 1989. Tenho vontade de morrer a cada vez que ouço, sem exagero.

É ou não é um gênio absoluto do pop?