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Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Selva de Pedra (1986)

03/08/2010

A Selva de Pedra de 1986 foi um remake da versão original de 1972 e, dizem, foi uma das maiores audiências da época. E, pesquisando no Google, achei vários saudosos por aí, pedindo remake ou um Vale a Pena Ver de Novo. O que, ainda bem, a Globo não faz. Porque, convenhamos, ia ser um saco assistir a uma novela de 25 anos atrás, né? Além disso, a memória sempre superestima a realidade. Então, deixemos assim.

Quando meu editor me deu esta pauta, sabia que precisava escrever algo relevante sobre a novela. Só que, vocês sabem, eu era uma criança na época e tinha muitas outras brincadeiras divertidas para inventar ao invés de ficar grudada na frente da TV. Então, sem relevância e sendo sincera, tudo que eu sei sobre a novela:
– me lembro de uma cena da Tássia Camargo tendo uma discussão com um homem, que não me lembro quem, em uma sala  de jantar decorada de acordo com a época. E a Tássia vestia branco.
– a novela foi escrita por Janete Clair, que, aliás, merece todo meu respeito.
– tinha a música Perigo, da Zizi Possi, na trilha sonora. Mas isso, é assunto para o EGS.

A trilha sonora nacional de Selva de Pedra começa aniquilando todo o Sistema Solar: Perigo, da Zizi Possi, é uma balada excelente. A introdução já me despedaça a alma, com o verso Nem quero saber, se o clima é pra romance eu vou deixar correr. Outro destaque é Tudo Bem, do Lulu Santos. O maior guitarrista brasileiro mostra que também é o rei das melodias com essa canção, que também começa com versos definitivos: Já não tenho dedos pra contar de quantos barrancos despenquei/E quantas pedras me atiraram, ou quantas atirei/Tanta farpa, tanta mentira/Tanta falta do que dizer, nem sempre é SO EASY SE VIVER.

Uma música da Blitz que não é muito comentada é Malandro Agulha, que também faz parte da trilha. Lembro muito de cantar o refrão quando era piá, para que alguém estivesse ESCORREGANDO NA MALANDRAGEM (pior gíria): Malandro agulha, ponto cem, ponto cem. E com essa citação, encerro a análise da trilha nacional da novela, para o bem de todos.

A trilha sonora internacional é poderosa, abrindo os trabalhos com I’ll Never Be (Maria Magdalena) da Sandra, um dos expoentes do finado ITALO DISCO. A faixa seguinte é a monstruosa Broken Wings do Mr. Mister (sério candidato a nome de banda mais infame de todos os tempos). Mais uma daquelas baladas que provam que não se faz mais música assim hoje em dia.

The Sweetest Taboo da Sade é outro destaque, com aquela suavidade que só ela tem ao cantar. West End Girls do Pet Shop Boys dispensa maiores comentários. Marco do dance oitentista, com um climão pegado no começo e batida clássica. O lado B começa com uma santíssima trindade: In Between Days do Cure, Nikita do Elton John e Duel do Propaganda. O que dizer, a não ser que essa trilha é uma aula de boa música?

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Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Roque Santeiro (1985/1986)

27/07/2010

Hoje começa uma série de grande VALOR AFETIVO aqui no blog. Convidei a querida Mariella Taniguchi, que costumava escrever aqui e agora pode ser encontrada mais facilmente aqui, para mostrar todo o seu conhecimento sobre NOVELAS, maior produto fabricado no Brasil. Ela vai escrever sobre as novelas em si, já que é uma especialista no assunto, e eu vou falar sobre as trilhas sonoras, até porque música é a única coisa que sei falar a respeito.

Começaremos com a primeira novela que temos registros mentais: ROQUE SANTEIRO, por muitos considerada a melhor novela de todos os tempos. Apreciem!

Eu sempre fui noveleira. Lembro detalhes, músicas e nomes de personagens de muitas novelas que se passaram até aqui. A primeira que me vem fresquinha à memória é Roque Santeiro. Na verdade, eu tinha só 4 anos (a novela acabou dois dias depois de eu completar cinco) e me esforçava muito pra ficar acordada até tarde para poder ver o lobisomem. Aquilo me apavorava, mas me enchia de curiosidade. Confesso que fiquei algumas noites sem dormir com medo que meu pai pudesse virar bicho também.

O fato é que, com alguns dias de esforço, consegui manter meus olhos de japa abertos para assistir à novela mais sensacional que já passou na televisão brasileira. Claro que muitos detalhes eu só pude perceber no Vale a pena ver de novo, mas o importante é que a novela me marcou de várias maneiras. Me lembro de brincar de Viúva Porcina e de pedir “Miiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiirna, traga meu suco de pitanga”, com meu conjuntinho de chá rosa pink. Às vezes, colocava correntes no braço para imitar o Senhozinho Malta também.

Além disso, foi nesta época também que eu descobri a existência de Roupa Nova e ganhei meu primeiro LP “de mocinha”. O Roupa Nova 1985 passava horas na vitrola. Depois, vieram Herança e Luz. Mas aí, acabei abandonando o hábito. Era difícil concorrer com Dominó e Polegar, na época.

Roque Santeiro teve duas trilhas sonoras, ambas nacionais. Mas a mais significativa é a primeira, com a Regina Duarte na toda poderosa na capa. A abertura com Isso aqui tá bom demais do Dominguinhos marcou época, impossível alguém não lembrar. Sem pecado e sem juízo da Baby Consuelo é outro ponto alto da trilha, uma balada excelente. Outra música lenta (percebam a idade de quem escreve através do uso dessa expressão) é Chora Coração, do Wando, com um violão que dilacera a alma.

Mistérios da Meia-noite do Zé Ramalho mereceria um post só seu, de tão impressionante que é. Assim como a Mariella, eu também me borrava de medo dessa música, com medo que um lobisomem fosse aparecer na minha casa. O tema de abertura da novela, Santa Fé do Moraes Moreira, fez história junto com a (para a época) modernosa mescla de miniaturas e cenários gigantes.

O lado B do disco abria com Dona, do Roupa Nova, composta por Sá e Guarabira. Mostrando porque é a maior banda brasileira, o Roupa dá uma aula de interpretação no tema da Viúva Porcina. De chorar, realmente. De Volta pro Aconchego da Elba Ramalho é outro ponto alto, junto com Coração Aprendiz, da Fafá de Belém. Em resumo, só tem figurinha carimbada na trilha sonora dessa novela que foi a única até hoje a alcançar 100 PONTOS DE AUDIÊNCIA. Não é para qualquer uma.