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Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Fera Radical (1988)

23/12/2010

Fera Radical era uma novela que não prometia muito, mas surpreendeu muita gente. Já disse, né? Malu Mader é musa. Difícil alguma coisa ficar ruim quando ela está envolvida. A personagem-título da trama, Claudia, foi a primeira protagonista da carreira de Miss Mader, uma heroína meio ambígua, daquelas que têm o apoio do público para o mal. Eu tinha 8 ou 9 anos e queria ser ela, andar de moto e ser independente.

A trama começava com Claudia ainda menina. Ao despertar no meio da noite, viu homens ateando fogo em sua casa, comandados por uma pessoa que usava botas com detalhes de prata. Esta era a única pista que tinha sobre o algoz de sua família, de quem prometeu se vingar. A novela se desenrolava em torno desse mistério, e, se à primeira vista não prometia ser muito animadora, com alguns capítulos já fez muita gente virar fã. A novela caiu nas graças do público e se tornou uma das maiores audiências do horário das seis.

Mas, apesar de todo o suspense, não era lá uma trama muito inovadora: Elias Gleiser já era um sombracelhudo bonachão e Zé Mayer já pegava geral.

A trilha sonora nacional não tem muitos destaques, talvez o maior deles seja a Carla Camurati (eterna) na capa.  Esse é um fato bastante recorrente na minha opinião, várias trilhas nacionais tem algumas músicas excelentes e várias lamentáveis, como é o caso dessa.

Tá, mas nem tudo é desgraça. A segunda faixa é A Cura, do Lulu Santos, uma das músicas mais geniais do pop brasileiro. Que melodia. Me sinto na obrigação de destacar CREMOSO, do Cesar Camargo Mariano, pelo nome e por ser uma música instrumental com a tecladeira oitentista tradicional. Retrato de uma época.

O mestre Almir Sater marca presença com Peão, uma canção com viola caipira de chorar. Mantendo o estilo, temos também Sá & Guarabyra, com Tabuleiro. Belo trabalho vocal, porém o arranjo TOO MUCH 80’S estraga o brilho, num caso desses. Vida Fácil, do Cazuza, é um blues daqueles que só a afetação de AGENOR é capaz de proporcionar.

O encerramento com a faíxa-título Fera Radical, da Solange, é um hino de quem via a novela direto. Refrão clássico e muitas lembranças na mente, encerrando com gana o disco.

A trilha internacional começa bombando muito com She’s Like The Wind, aquele dueto matador do Patrick Swayze e da Wendy Fraser na trilha do Dirty Dancing. O que fazerm além de ajoelhar e socar o ar em agradecimento? A balada Love Changes Everything, da Climie Fisher, é o clássico exemplar oitentista de boa música.

A sequência com Tell It To My Heart da Taylor Dayne torna as coisas ainda mais tensas. Um dos melhores dances do período, com introdução explosiva. Nem dá tempo de se recuperar e a paulada Living In A Box, da banda de mesmo nome, entra rasgando. Alguém disse que eles tocaram no já antológico M2000 SUMMER CONCERTS, mas juro que não lembro. Na dúvida, prefiro acreditar que foi verdade.

Até existem outras músicas interessantes na trilha, mas saber a hora de parar é uma benção. E como ando em busca da iluminação, seguirei esse conselho.

Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – O Outro (1987)

06/09/2010

Vou dizer uma coisa pra vocês: se tem Malu Mader só pode ser bom. Certo? Certo. Dito isso, podemos ir em frente. Em O Outro, novela com dose dupla de Francisco Cuoco, ela era Glorinha da Abolição, ex-menina de rua que, graças às reviravoltas do mundo das novelas, termina como filha do milionário da história. Além disso, era a única com um cabelo decente. Reparem:

Obviamente, não me lembro bem de todos os detalhes, mas adorava o clima urbano e acompanhava ansiosa a trama. Torcia para que, no fim, a Glorinha não ficasse com o Francisco Cuoco, que era velho e feio. Para quem não lembra, a novela contava a história do homem humilde, sósia de um milionário por quem se faz passar após um acidente envolvendo os dois. O homem humilde era Denizard Matos. O milionário era Paulo Dell Santa. E os dois eram Francisco Cuoco. Denizard teva um affair com Glorinha e Paulo era, na verdade, seu pai. No final, o rico reaparece, o pobre volta pro ferro-velho dividido entre três mulheres, mas acaba voltando para a sua suburbana sensual, Índia do Brasil, vivida por Yoná Magalhães.

As duas trilhas sonoras de O Outro são excelentes. A nacional tem grandes clássicos do pop rock brasileiro, como O nosso amor a gente inventa (Estória Romântica), do Cazuza, e Doublé de Corpo, dos Heróis da Resistência, banda do Leoni, maior compositor do Brasil de todos os tempos. A sequência da trilha tem a maravilhosa Esquece e Vem, do Nico Rezende, comandada pelo baixo fretless e pelo climão no teclado.

Como se não bastassem todos esses clássicos, há ainda a memorável Kátia Flávia, do Fausto Fawcett & Os Robôs Efêmeros, seguida por Amanhã é 23, do Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens (sim, as bandas dos anos 80 tinham os piores nomes possíveis). Ainda como destaques no quesito pop rock, há músicas do Barão Vermelho (Quem me olha só) e Ira (Flores em Você), fechando essa bela trilha.

Antes mesmo de ouvir a trilha internacional, o sujeito já é fulminado pela vibe FEMME FATALE da Malu Mader na capa. Se conseguir abstrair e reunir forças para retirar o vinil do plástico, o cidadão será BOMBARDEADO por um arsenal de baladas que fariam o Love Songs da Cidade parecer o Arrasa Quarteirão da Ipanema. São tantas que apenas as listarei aqui, pois acho que isso basta para avaliar o estrago que causam:

– COMING AROUND AGAIN – Carly Simon
– DON’T DREAM IT’S OVER – Crowded House
– THE MIRACLE OF LOVE – Eurythmics
– YOU’RE THE VOICE – John Farham
– WORDS GET IN THE WAY – Gloria Estefan & Miami Sound Machine
– THIS LOVE – Bad Company
– DON’T GET ME WRONG – Pretenders
– TWO PEOPLE – Tina Turner
– I’LL BE OVER YOU – Toto

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