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Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Brega & Chique (1987)

21/09/2010

Vou dizer uma coisa pra vocês: a sorte é que meu editor é muito tranquilo, senão já teria sido demitida da minha função de comentar sobre novelas. Eu gosto, adoro, mas não tenho conseguido parar e me concentrar. Até porque esse espaço merece um texto elaborado, não combina com qualquer coisa, né? :p

Então, vamos lá que o papo de hoje é Brega & Chique. E vamos começar do começo.

Quem é que não lembra da abertura com o “pelado, pelado, nu com a mão no bolso” caminhando de costas, com a bunda – bela bunda, aliás – de fora? Pois me lembro bem de ter visto na estreia e de ter achado engraçado. Mas, claro, nem todo mundo achou. E foram votos vencidos aqueles que tentaram desafiar os bons costumes do nosso povo elitizado – que dança o créu na velocidade cinco, mas acha feio ficar sem cueca na TV –, pois o moço teve que cobrir a retaguarda com uma folhinha cretina inspirada nos tapa-sexos imaginários de Adão e Eva.

Abertura original

Abertura censurada

E, como se não bastasse, a abertura ainda trazia o contraste de mulheres bregas e chiques, sem se dar conta que aquilo tudo ocorria nos anos 80 e que visual chique não era o forte da época. Saudosa época, aliás, em que minha única obrigação era recortar e colar sílabas no meu caderno brochura de linhas verdes como exercício para aprender a ler e escrever. Eu tinha seis anos.

A novela era divertida, diferente e apelava para um feminismo que fez sucesso. Para quem não lembra/não conhece, contava a história de duas mulheres, uma rica e outra pobre (uma brega e outra chique), que moravam em bairros distantes e tinham vidas completamente diferentes, mas dividiam o mesmo marido, que administrava esses relacionamentos paralelos sem que elas desconfiassem. O homem em questão era o Jorge Dória, excelente para o tipo de humor nervoso do personagem, que depois se descobriu ter uma terceira mulher. Mas o fato é que, para se livrar da falência, o sacana bola um plano e desaparece, fazendo com que as duas troquem de status social.

Depois ele reaparece, já com a cara e peso do Raul Cortez e outro nome. As mulheres acabam se tornando amigas e protegendo uma à outra, e voltando-se contra ele. E, com o dedo do Jorge Fernando na direção, não tinha como fugir dos gritedos, barracos e confusões exageradas.

Com um elenco que pouco se vê nas novelas atuais, Brega & Chique reuniu em 173 capítulos <faustão mode on> monstros sagrados <faustão mode off> e figurinhas carimbadas da teledramaturgia brasileira. Marília Pêra e Glória Menezes eram as personagens centrais, que dividiam os louros da audiência com Jorge Dória, Marco Nanini, Raul Cortez, Denis Carvalho, Marcos Paulo, Patrícia Pillar, Cássia Kiss, Cássio Gabus Mendes, Patrícia Travassos, Nívea Maria e Tato Gabus.

Não dá para falar de Brega & Chique sem falar em sacanagem. Desde a abertura com o magrão com a bunda – bela bunda, aliás – de fora, passando pela maior de todas: mais uma música lamentável da Rita Lee – Pega Rapaz -, em trilha de novela. A vergonha alheia que sinto das músicas dela é colossal. Como disse minha esposa ao ouvir essa música: “Bem que ela podia ter se atirado da janela no lugar do Arnaldo Baptista”. Amém.

Mas já que não há nada a ser feito, sigamos com a análise. Sem Peso e Sem Medida, do Fábio Jr, vem na sequência, naquele clima bem característico do pai do Fiuk. Aí vem Lulu Santos, o gênio supremo, e deixa tudo mais lindo com Um Pro Outro. Impressionante o dom de fazer melodias letais que ele tem. A presença de Cowboy Fora da Lei, do Raul Seixas, também abrilhanta a trilha.

O tema de abertura, Pelado, do Ultraje A Rigor, é um hit eterno, que eu cantava alto enquanto via os créditos da novela. A trilha já teria motivos suficientes para ser exaltada, mas ainda assim há mais surpresas, como Blá-Blá-Blá… Eu Te Amo, do Lobão. Um ótimo álbum, em resumo.

A trilha internacional começa com Boy George dando (ui) show em Everything I Own, uma regueira das boas. Depois vem uma balada da Janet Jackson, Let’s Wait Awhile, daquelas que só em 1987 as pessoas sabiam fazer. No Promises, do Icehouse, é a típica música que eu já ouvi um milhão de vezes e não sabia o nome, até fazer esse post. Velha conhecida, com certeza.

Há também um momento LOVE METAL no disco, com a formidável Is This Love, do Whitesnake. Diria que TODA trilha deveria ter essa música, podia ter uma espécie de decreto obrigando a inclui-la na novela. Seria lindo. No lado B, I Want Your Sex é o grande destaque, com George Michael no auge. E para dizer que não falei de dance, Head To Toe, da Lisa Lisa & The Cult Jam marca presença, com aquela parede de sintetizadores que só os anos 80 trazem para você. Conclusão: trilha mais que recomendada.

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Here we go again

09/09/2010

Há uma faixa na arquibancada inferior do Beira-Rio que diz o seguinte: SOMOS A RESISTÊNCIA. Não quero entrar em questões clubísticas, a faixa poderia estar no Olímpico ou em qualquer outro estádio do Brasil. O que importa aqui é a mensagem escrita, que tem muito a ver com o evento que se realizará neste próximo sábado, no Garagem Hermética: o TRIBUTO LOVE METAL.

Me identifico totalmente com a frase porque é assim que enxergo uma festa como essa, que se propõe a tocar músicas que há tempos foram esquecidas pelo grande público, muitas vezes sendo consideradas bregas, velhas, datadas ou qualquer outro adjetivo depreciativo que se possa pensar. Pois para pessoas como o Leo Mereu, organizador do evento, nada poderia estar mais longe da verdade. As canções tocadas são parte do passado, do presente e certamente do futuro dele.

Pessoas como ele e eu acreditam tanto nesse tipo de som que se prestam a ensaiar músicas, gravar cds, escrever releases e mostrar para todo o mundo que baladas e rocks são a melhor combinação que se pode ter. E é justamente isso que espera quem for ao Garagem no dia 11 de setembro: um bombardeio sonoro poucas vezes visto em Porto Alegre.

Mereu estará incendiando o palco no comando da banda que leva o mesmo nome da festa e eu estarei na discotecagem, garantindo que ninguém saia do recinto sem derramar ao menos uma lágrima. São eventos assim que nos mantêm vivos e é por isso que encaramos com muita gana o desafio de fazer uma noite inesquecível, com a mesma paixão que aquelas bandas que terão suas músicas executadas lá colocaram na hora de compor esses clássicos absolutos.

Vá e comprove que levamos esse papo de AMOR e METAL muito a sério.

Sábado, 11/09 – 23h

Garagem Hermética – Barros Cassal, 386

Mandando email para visceralproducoes@gmail.com o ingresso fica por míseros R$ 8. Na hora, o ingresso é R$ 12.

Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – O Outro (1987)

06/09/2010

Vou dizer uma coisa pra vocês: se tem Malu Mader só pode ser bom. Certo? Certo. Dito isso, podemos ir em frente. Em O Outro, novela com dose dupla de Francisco Cuoco, ela era Glorinha da Abolição, ex-menina de rua que, graças às reviravoltas do mundo das novelas, termina como filha do milionário da história. Além disso, era a única com um cabelo decente. Reparem:

Obviamente, não me lembro bem de todos os detalhes, mas adorava o clima urbano e acompanhava ansiosa a trama. Torcia para que, no fim, a Glorinha não ficasse com o Francisco Cuoco, que era velho e feio. Para quem não lembra, a novela contava a história do homem humilde, sósia de um milionário por quem se faz passar após um acidente envolvendo os dois. O homem humilde era Denizard Matos. O milionário era Paulo Dell Santa. E os dois eram Francisco Cuoco. Denizard teva um affair com Glorinha e Paulo era, na verdade, seu pai. No final, o rico reaparece, o pobre volta pro ferro-velho dividido entre três mulheres, mas acaba voltando para a sua suburbana sensual, Índia do Brasil, vivida por Yoná Magalhães.

As duas trilhas sonoras de O Outro são excelentes. A nacional tem grandes clássicos do pop rock brasileiro, como O nosso amor a gente inventa (Estória Romântica), do Cazuza, e Doublé de Corpo, dos Heróis da Resistência, banda do Leoni, maior compositor do Brasil de todos os tempos. A sequência da trilha tem a maravilhosa Esquece e Vem, do Nico Rezende, comandada pelo baixo fretless e pelo climão no teclado.

Como se não bastassem todos esses clássicos, há ainda a memorável Kátia Flávia, do Fausto Fawcett & Os Robôs Efêmeros, seguida por Amanhã é 23, do Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens (sim, as bandas dos anos 80 tinham os piores nomes possíveis). Ainda como destaques no quesito pop rock, há músicas do Barão Vermelho (Quem me olha só) e Ira (Flores em Você), fechando essa bela trilha.

Antes mesmo de ouvir a trilha internacional, o sujeito já é fulminado pela vibe FEMME FATALE da Malu Mader na capa. Se conseguir abstrair e reunir forças para retirar o vinil do plástico, o cidadão será BOMBARDEADO por um arsenal de baladas que fariam o Love Songs da Cidade parecer o Arrasa Quarteirão da Ipanema. São tantas que apenas as listarei aqui, pois acho que isso basta para avaliar o estrago que causam:

– COMING AROUND AGAIN – Carly Simon
– DON’T DREAM IT’S OVER – Crowded House
– THE MIRACLE OF LOVE – Eurythmics
– YOU’RE THE VOICE – John Farham
– WORDS GET IN THE WAY – Gloria Estefan & Miami Sound Machine
– THIS LOVE – Bad Company
– DON’T GET ME WRONG – Pretenders
– TWO PEOPLE – Tina Turner
– I’LL BE OVER YOU – Toto

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