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Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Fera Radical (1988)

23/12/2010

Fera Radical era uma novela que não prometia muito, mas surpreendeu muita gente. Já disse, né? Malu Mader é musa. Difícil alguma coisa ficar ruim quando ela está envolvida. A personagem-título da trama, Claudia, foi a primeira protagonista da carreira de Miss Mader, uma heroína meio ambígua, daquelas que têm o apoio do público para o mal. Eu tinha 8 ou 9 anos e queria ser ela, andar de moto e ser independente.

A trama começava com Claudia ainda menina. Ao despertar no meio da noite, viu homens ateando fogo em sua casa, comandados por uma pessoa que usava botas com detalhes de prata. Esta era a única pista que tinha sobre o algoz de sua família, de quem prometeu se vingar. A novela se desenrolava em torno desse mistério, e, se à primeira vista não prometia ser muito animadora, com alguns capítulos já fez muita gente virar fã. A novela caiu nas graças do público e se tornou uma das maiores audiências do horário das seis.

Mas, apesar de todo o suspense, não era lá uma trama muito inovadora: Elias Gleiser já era um sombracelhudo bonachão e Zé Mayer já pegava geral.

A trilha sonora nacional não tem muitos destaques, talvez o maior deles seja a Carla Camurati (eterna) na capa.  Esse é um fato bastante recorrente na minha opinião, várias trilhas nacionais tem algumas músicas excelentes e várias lamentáveis, como é o caso dessa.

Tá, mas nem tudo é desgraça. A segunda faixa é A Cura, do Lulu Santos, uma das músicas mais geniais do pop brasileiro. Que melodia. Me sinto na obrigação de destacar CREMOSO, do Cesar Camargo Mariano, pelo nome e por ser uma música instrumental com a tecladeira oitentista tradicional. Retrato de uma época.

O mestre Almir Sater marca presença com Peão, uma canção com viola caipira de chorar. Mantendo o estilo, temos também Sá & Guarabyra, com Tabuleiro. Belo trabalho vocal, porém o arranjo TOO MUCH 80’S estraga o brilho, num caso desses. Vida Fácil, do Cazuza, é um blues daqueles que só a afetação de AGENOR é capaz de proporcionar.

O encerramento com a faíxa-título Fera Radical, da Solange, é um hino de quem via a novela direto. Refrão clássico e muitas lembranças na mente, encerrando com gana o disco.

A trilha internacional começa bombando muito com She’s Like The Wind, aquele dueto matador do Patrick Swayze e da Wendy Fraser na trilha do Dirty Dancing. O que fazerm além de ajoelhar e socar o ar em agradecimento? A balada Love Changes Everything, da Climie Fisher, é o clássico exemplar oitentista de boa música.

A sequência com Tell It To My Heart da Taylor Dayne torna as coisas ainda mais tensas. Um dos melhores dances do período, com introdução explosiva. Nem dá tempo de se recuperar e a paulada Living In A Box, da banda de mesmo nome, entra rasgando. Alguém disse que eles tocaram no já antológico M2000 SUMMER CONCERTS, mas juro que não lembro. Na dúvida, prefiro acreditar que foi verdade.

Até existem outras músicas interessantes na trilha, mas saber a hora de parar é uma benção. E como ando em busca da iluminação, seguirei esse conselho.

Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Mandala (1987/1988)

22/11/2010

Eu gostava de Mandala, mas acho que não vi inteira. Lembro dela, especialmente por causa do romance entre Vera Fischer (a Jocasta “madura”) e Felipe Camargo (o filho Édipo) na vida real. Foram anos de páginas em revistas de fofoca. Ainda assim, nunca me esqueci da cena do roubo do bebê no hospital por uma enfermeira loira. Poderia, inclusive, descrever o quarto e o figurino da Giulia Gam (a Jocasta jovem) no momento.

Hoje, pensando, fico pasma de ter visto ir ao ar uma trama cujo tema central era o incestuoso relacionamento entre mãe e filho. Como todos sabem, Mandala adpatou ao Rio de Janeiro o mito de Édipo, e, apesar de personagens condizentes com a realidade brasileira, esqueceu de um detalhe: os nomes. Quer dizer, foi proposital, mas, tipo assim, não foi legal. Alguém conhece alguma Jocasta por aí? Laio? Creonte? Podia ter mudado os nomes também, né?

Mas, voltando à trama, além do incesto, o Laio, pai do Édipo, era também bissexual e bicheiro. A Jocasta era filha de um comunista que tinha problemas com o governo e a polícia, situação ainda muito recente em um Brasil pós-ditadura militar. Obviamente não foi a versão original que foi ao ar. E a que foi ao ar jamais foi reprisada pela emissora. Porém, me impressiona mesmo assim.

E agora, depois de muito tempo sem escrever e fazendo o Egs perder as esperanças de continuar esta série, passo a bola pra ele falar do que realmente importa: a trilha.

Confesso que nunca ouvi a trilha nacional de Mandala. E ao ler a lista de faixas, fiquei sem vontade alguma. As honrosas exceções são a presença do clássico tema da Jocasta, O Amor e o Poder, da Rosana, e Eu Já Sei, dos Garotos da Rua, uma música pra chorar compulsivamente.

Por mais contraditório que possa parecer, só essas duas músicas valem do disco todo, portanto a aquisição é altamente recomendada.

Já a trilha internacional é um petardo do início ao fim. A dobradinha A Matter Of Feeling do Duran Duran e Didn’t We Almost Have It All da Whitney Houston arrasa qualquer coração. A presença de With Or Without You do U2 também não ajuda muito. E, como se não fosse suficiente, a definitiva Nothing’s Gonna Change My Love For You do Glenn Medeiros cimenta qualquer tentativa de seguir vivendo.

O lado B começa com a formidável Luka da Suzanne Vega e segue com Never Say Goodbye do Bon Jovi. Não há muito a dissertar sobre isso, apenas agradecer aos ceús. Para encerrar por cima, a excelente I Think We’re Alone Now da Tiffany faz lembrar do tempo em que comprar trilha sonora de novela era o auge da existência.

Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Brega & Chique (1987)

21/09/2010

Vou dizer uma coisa pra vocês: a sorte é que meu editor é muito tranquilo, senão já teria sido demitida da minha função de comentar sobre novelas. Eu gosto, adoro, mas não tenho conseguido parar e me concentrar. Até porque esse espaço merece um texto elaborado, não combina com qualquer coisa, né? :p

Então, vamos lá que o papo de hoje é Brega & Chique. E vamos começar do começo.

Quem é que não lembra da abertura com o “pelado, pelado, nu com a mão no bolso” caminhando de costas, com a bunda – bela bunda, aliás – de fora? Pois me lembro bem de ter visto na estreia e de ter achado engraçado. Mas, claro, nem todo mundo achou. E foram votos vencidos aqueles que tentaram desafiar os bons costumes do nosso povo elitizado – que dança o créu na velocidade cinco, mas acha feio ficar sem cueca na TV –, pois o moço teve que cobrir a retaguarda com uma folhinha cretina inspirada nos tapa-sexos imaginários de Adão e Eva.

Abertura original

Abertura censurada

E, como se não bastasse, a abertura ainda trazia o contraste de mulheres bregas e chiques, sem se dar conta que aquilo tudo ocorria nos anos 80 e que visual chique não era o forte da época. Saudosa época, aliás, em que minha única obrigação era recortar e colar sílabas no meu caderno brochura de linhas verdes como exercício para aprender a ler e escrever. Eu tinha seis anos.

A novela era divertida, diferente e apelava para um feminismo que fez sucesso. Para quem não lembra/não conhece, contava a história de duas mulheres, uma rica e outra pobre (uma brega e outra chique), que moravam em bairros distantes e tinham vidas completamente diferentes, mas dividiam o mesmo marido, que administrava esses relacionamentos paralelos sem que elas desconfiassem. O homem em questão era o Jorge Dória, excelente para o tipo de humor nervoso do personagem, que depois se descobriu ter uma terceira mulher. Mas o fato é que, para se livrar da falência, o sacana bola um plano e desaparece, fazendo com que as duas troquem de status social.

Depois ele reaparece, já com a cara e peso do Raul Cortez e outro nome. As mulheres acabam se tornando amigas e protegendo uma à outra, e voltando-se contra ele. E, com o dedo do Jorge Fernando na direção, não tinha como fugir dos gritedos, barracos e confusões exageradas.

Com um elenco que pouco se vê nas novelas atuais, Brega & Chique reuniu em 173 capítulos <faustão mode on> monstros sagrados <faustão mode off> e figurinhas carimbadas da teledramaturgia brasileira. Marília Pêra e Glória Menezes eram as personagens centrais, que dividiam os louros da audiência com Jorge Dória, Marco Nanini, Raul Cortez, Denis Carvalho, Marcos Paulo, Patrícia Pillar, Cássia Kiss, Cássio Gabus Mendes, Patrícia Travassos, Nívea Maria e Tato Gabus.

Não dá para falar de Brega & Chique sem falar em sacanagem. Desde a abertura com o magrão com a bunda – bela bunda, aliás – de fora, passando pela maior de todas: mais uma música lamentável da Rita Lee – Pega Rapaz -, em trilha de novela. A vergonha alheia que sinto das músicas dela é colossal. Como disse minha esposa ao ouvir essa música: “Bem que ela podia ter se atirado da janela no lugar do Arnaldo Baptista”. Amém.

Mas já que não há nada a ser feito, sigamos com a análise. Sem Peso e Sem Medida, do Fábio Jr, vem na sequência, naquele clima bem característico do pai do Fiuk. Aí vem Lulu Santos, o gênio supremo, e deixa tudo mais lindo com Um Pro Outro. Impressionante o dom de fazer melodias letais que ele tem. A presença de Cowboy Fora da Lei, do Raul Seixas, também abrilhanta a trilha.

O tema de abertura, Pelado, do Ultraje A Rigor, é um hit eterno, que eu cantava alto enquanto via os créditos da novela. A trilha já teria motivos suficientes para ser exaltada, mas ainda assim há mais surpresas, como Blá-Blá-Blá… Eu Te Amo, do Lobão. Um ótimo álbum, em resumo.

A trilha internacional começa com Boy George dando (ui) show em Everything I Own, uma regueira das boas. Depois vem uma balada da Janet Jackson, Let’s Wait Awhile, daquelas que só em 1987 as pessoas sabiam fazer. No Promises, do Icehouse, é a típica música que eu já ouvi um milhão de vezes e não sabia o nome, até fazer esse post. Velha conhecida, com certeza.

Há também um momento LOVE METAL no disco, com a formidável Is This Love, do Whitesnake. Diria que TODA trilha deveria ter essa música, podia ter uma espécie de decreto obrigando a inclui-la na novela. Seria lindo. No lado B, I Want Your Sex é o grande destaque, com George Michael no auge. E para dizer que não falei de dance, Head To Toe, da Lisa Lisa & The Cult Jam marca presença, com aquela parede de sintetizadores que só os anos 80 trazem para você. Conclusão: trilha mais que recomendada.

Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – O Outro (1987)

06/09/2010

Vou dizer uma coisa pra vocês: se tem Malu Mader só pode ser bom. Certo? Certo. Dito isso, podemos ir em frente. Em O Outro, novela com dose dupla de Francisco Cuoco, ela era Glorinha da Abolição, ex-menina de rua que, graças às reviravoltas do mundo das novelas, termina como filha do milionário da história. Além disso, era a única com um cabelo decente. Reparem:

Obviamente, não me lembro bem de todos os detalhes, mas adorava o clima urbano e acompanhava ansiosa a trama. Torcia para que, no fim, a Glorinha não ficasse com o Francisco Cuoco, que era velho e feio. Para quem não lembra, a novela contava a história do homem humilde, sósia de um milionário por quem se faz passar após um acidente envolvendo os dois. O homem humilde era Denizard Matos. O milionário era Paulo Dell Santa. E os dois eram Francisco Cuoco. Denizard teva um affair com Glorinha e Paulo era, na verdade, seu pai. No final, o rico reaparece, o pobre volta pro ferro-velho dividido entre três mulheres, mas acaba voltando para a sua suburbana sensual, Índia do Brasil, vivida por Yoná Magalhães.

As duas trilhas sonoras de O Outro são excelentes. A nacional tem grandes clássicos do pop rock brasileiro, como O nosso amor a gente inventa (Estória Romântica), do Cazuza, e Doublé de Corpo, dos Heróis da Resistência, banda do Leoni, maior compositor do Brasil de todos os tempos. A sequência da trilha tem a maravilhosa Esquece e Vem, do Nico Rezende, comandada pelo baixo fretless e pelo climão no teclado.

Como se não bastassem todos esses clássicos, há ainda a memorável Kátia Flávia, do Fausto Fawcett & Os Robôs Efêmeros, seguida por Amanhã é 23, do Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens (sim, as bandas dos anos 80 tinham os piores nomes possíveis). Ainda como destaques no quesito pop rock, há músicas do Barão Vermelho (Quem me olha só) e Ira (Flores em Você), fechando essa bela trilha.

Antes mesmo de ouvir a trilha internacional, o sujeito já é fulminado pela vibe FEMME FATALE da Malu Mader na capa. Se conseguir abstrair e reunir forças para retirar o vinil do plástico, o cidadão será BOMBARDEADO por um arsenal de baladas que fariam o Love Songs da Cidade parecer o Arrasa Quarteirão da Ipanema. São tantas que apenas as listarei aqui, pois acho que isso basta para avaliar o estrago que causam:

– COMING AROUND AGAIN – Carly Simon
– DON’T DREAM IT’S OVER – Crowded House
– THE MIRACLE OF LOVE – Eurythmics
– YOU’RE THE VOICE – John Farham
– WORDS GET IN THE WAY – Gloria Estefan & Miami Sound Machine
– THIS LOVE – Bad Company
– DON’T GET ME WRONG – Pretenders
– TWO PEOPLE – Tina Turner
– I’LL BE OVER YOU – Toto

Precisa dizer mais alguma coisa?

Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Roda de Fogo (1986/1987)

23/08/2010

Passei umas semanas bem ocupada e fiquei devendo ao EGS um texto sobre Roda de Fogo, que deveria ter sido publicado há uns 10 dias, mais ou menos. Embora atrasada, está aí o texto.

Quem viu Roda de Fogo sabe bem quem é Renato Villar. Tarcísio Meira era o homem mais poderoso daqueles 180 capítulos, que começou como vilão, mas virou o jogo e caiu nas graças do público. De empresário ‘frio e calculista’ (adoro!) virou um homem arrependido, disposto a corrigir os erros do passado e sem medo de mudar de vida. Esse toque de vida real ao personagem é, na minha opinião, o que faz com as pessoas lembrem até hoje do nome Renato Villar. Taí o EGS que não me deixa mentir.

E para justificar isso eu bem que poderia começar aqui um discurso meio chato sobre a influência das telenovelas na sociedade brasileira, que elas auxiliam a formar mentalidades, construir valores e narrar a realidade à sua maneira, e bla bla bla… Mas vou encurtar o papo e ser somente a especialista das minhas próprias lembranças de infância:

– O Tabaco, personagem de Osmar Prado, motorista de Renato Villar, era o meu favorito. Adorava o arco formado por ele e suas três mulheres, que ele amava e não conseguia viver sem. Era engraçado o malabarismo que fazia para manter os três relacionamentos. No fim, subiu com as três ao altar.

– Renata Sorrah era o máximo com suas ombreiras enormes.

A trilha nacional de Roda de Fogo é uma das primeiras a conter várias bandas e cantores pós-hecatombe new wave, com figurinhas mais do que carimbadas do rock nacional. Uma delas é Paralamas do Sucesso, com a regueira clássica de Você, hit de muitos verões meus em Capão da Canoa.

O único resquício de new wave é a presença da Rádio Táxi, com Você se Esconde. Porém, a música é um pop interessante, com poucos elementos bagaceiros e guitarra pra lá de roqueira. Vale a audição.

Transas, do Ritchie, é uma balada letal. Tanto tempo faz que a gente transa, e não se conversou é a frase que abre a canção. Isso já diz muita coisa sobre a obra. Quero saber quem vai regravá-la agora. Se ninguém se candidatar, eu mesmo farei o trabalho.

A pá de cal é jogada com Nem um Toque, da Rosana, certamente uma das 10 baladas mais excelentes da música brasileira. Tudo é perfeito, da introdução no sax ao refrão grandioso. Um primor. O encerramento com Música Urbana, do Capital Inicial, é só para me transportar novamente para o Litoral Norte do Rio Grande do Sul.

Que saudades do Baronda.

Já a trilha internacional começa com baladas marcantes, como With You All The Way, do New Edition, a boy band que abriu espaço para o New Kids On The Block alguns anos depois. A sequência com Invisible Touch, do Genesis, vem com tudo, com Phil Collins mostrando porque é um gênio da música pop.

Curiosamente, a trilha também tem a presença de alguém que já andou pelo Genesis: Peter Gabriel, com Sledgehammer, e seu clipe que virou referência em computação gráfica em uma época em que tudo era tosco demais. Além disso, a música é realmente boa.

Simply Red e a balada Holding Back The Years mantém o clima de reunião dançante aceso e se destaca no meio de tantas baladas genéricas no disco. E colocar If Looks Could Kill, do Heart, para fechar a trilha, foi uma atitude genial, só para deixar o gostinho de que poderia ter mais hard rock no álbum.

Touché.

Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Cambalacho (1986)

09/08/2010

Ao fazer uma pesquisa nas minhas memórias sobre Cambalacho, me lembro exatamente de ter questionado minha mãe sobre o que significava a palavra. “Trambique, sacanagem”, me disse dona Isolete. Engraçado que isso ficou tão fixo na minha mente, que ficava analisando as tramoias dos personagens para saber se agiam corretamente ou não. Talvez, eu tenha entendido – como crianças entendem as coisas – o recado de Silvio de Abreu quando escreveu a novela, que, hoje, avalio, condenava o mau-caratismo associado à ambição.

Eu era pequenina, mas tinha um senso de justiça bem aguçado e batia nos coleguinhas que mentiam. E me achava super correta. Mas, sendo realista, não quis dizer que a temática fosse inédita, porque sabemos que não era. Mas, pra mim, foi importante porque foi quando eu comecei a ter noção sobre isso.

Cambalacho foi uma novela querida e me arrisco ao dizer que não era feita somente de estereótipos. Tinha, sim, a mocinha e a vilã, e todos os outros componentes, mas a mocinha em questão era também uma trambiqueira que caiu no gosto do público porque tinha bom coração. Mas fez história e rendeu boas risadas, bem ao estilo cômico de Silvio de Abreu. Afinal, quem é que não lembra da conturbada relação de Ana Machadão (Débora Bloch) e Antero (Edson Celulari)? Ou das magias de Tina Pepper (Regina Casé) para conquistar o coração do seu amado (Paulo César Grande)?

Confesso que não me recordo, mas cambalacho devia ser uma palavra da moda na época, porque foi usada na música Tô P da Vida, do Dominó, no disco deles de 1987. Infelizmente, ela não está presente nesta trilha sonora, por isso falarei das que de fato estão presentes.

O disco começa com Perigosa, do Syndicatto. O único perigo aqui é a pessoa ter uma lesão auditiva, de tão ruim que é a música. Parece Mas Não É do Carbono 14 tem uma pilha Jovem Guarda embebida de new wave. Uma mistura estranha, mas que até não ficou ruim. O tema de abertura, Cambalacho do Walter Queiróz, tem uma levada caribenha, muito em voga na época e bastante recorrente em várias outras aberturas de novelas.

Filho da Cidade do Sergio Dias é um pop que transborda anos 80. Até demais, sejamos francos. Mas ele tem crédito, por todos os serviços prestados ao rock. A trilha tem até samba de raiz, com Deus Nos Acuda do Fundo de Quintal. Um dos destaques da trilha nacional, sem dúvida.

A trilha internacional começa com a balada Captain of Her Heart, do Double, e seu pianinho maroto. Depois vem a clássica Bad Boys, da Gloria Estefan and The Miami Sound Machine. Um dance pegado, que marcou época. Outro destaque é Greatest Love of All, da Whitney Houston. Ela comanda o universo, não adianta. Pena que NADOU NO CRACK nos últimos anos.

Better Be Good to Me da Tina Turner é um pop excelente, com um riff marcante. E esse disco é tão recheado de baladas que até o ZZ Top ataca com uma, Rough Boy. A conclusão a que chego é que 1986 foi um bom ano para baladas, para o bem de toda a humanidade.

Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Selva de Pedra (1986)

03/08/2010

A Selva de Pedra de 1986 foi um remake da versão original de 1972 e, dizem, foi uma das maiores audiências da época. E, pesquisando no Google, achei vários saudosos por aí, pedindo remake ou um Vale a Pena Ver de Novo. O que, ainda bem, a Globo não faz. Porque, convenhamos, ia ser um saco assistir a uma novela de 25 anos atrás, né? Além disso, a memória sempre superestima a realidade. Então, deixemos assim.

Quando meu editor me deu esta pauta, sabia que precisava escrever algo relevante sobre a novela. Só que, vocês sabem, eu era uma criança na época e tinha muitas outras brincadeiras divertidas para inventar ao invés de ficar grudada na frente da TV. Então, sem relevância e sendo sincera, tudo que eu sei sobre a novela:
– me lembro de uma cena da Tássia Camargo tendo uma discussão com um homem, que não me lembro quem, em uma sala  de jantar decorada de acordo com a época. E a Tássia vestia branco.
– a novela foi escrita por Janete Clair, que, aliás, merece todo meu respeito.
– tinha a música Perigo, da Zizi Possi, na trilha sonora. Mas isso, é assunto para o EGS.

A trilha sonora nacional de Selva de Pedra começa aniquilando todo o Sistema Solar: Perigo, da Zizi Possi, é uma balada excelente. A introdução já me despedaça a alma, com o verso Nem quero saber, se o clima é pra romance eu vou deixar correr. Outro destaque é Tudo Bem, do Lulu Santos. O maior guitarrista brasileiro mostra que também é o rei das melodias com essa canção, que também começa com versos definitivos: Já não tenho dedos pra contar de quantos barrancos despenquei/E quantas pedras me atiraram, ou quantas atirei/Tanta farpa, tanta mentira/Tanta falta do que dizer, nem sempre é SO EASY SE VIVER.

Uma música da Blitz que não é muito comentada é Malandro Agulha, que também faz parte da trilha. Lembro muito de cantar o refrão quando era piá, para que alguém estivesse ESCORREGANDO NA MALANDRAGEM (pior gíria): Malandro agulha, ponto cem, ponto cem. E com essa citação, encerro a análise da trilha nacional da novela, para o bem de todos.

A trilha sonora internacional é poderosa, abrindo os trabalhos com I’ll Never Be (Maria Magdalena) da Sandra, um dos expoentes do finado ITALO DISCO. A faixa seguinte é a monstruosa Broken Wings do Mr. Mister (sério candidato a nome de banda mais infame de todos os tempos). Mais uma daquelas baladas que provam que não se faz mais música assim hoje em dia.

The Sweetest Taboo da Sade é outro destaque, com aquela suavidade que só ela tem ao cantar. West End Girls do Pet Shop Boys dispensa maiores comentários. Marco do dance oitentista, com um climão pegado no começo e batida clássica. O lado B começa com uma santíssima trindade: In Between Days do Cure, Nikita do Elton John e Duel do Propaganda. O que dizer, a não ser que essa trilha é uma aula de boa música?

Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Ti ti ti (1985/1986)

29/07/2010

Já que o EGS me chamou de especialista, vou ter que, pelo menos, tentar me comportar como tal. Mas aviso: o mais próximo que cheguei disso foi quando fiz minha monografia sobre novelas. Foi super divertido, mas o resultado é irrelevante para o resto do mundo. E já faz alguns anos, então, não muda muito.

Hoje o assunto é Ti ti ti, novela que passou na mesma época em que Roque Santeiro, e da qual me lembro vagamente. Confesso que tive que recorrer ao oráculo para me relembrar da trama original. Porque, se me perguntassem, de cara eu ia dizer que tudo que me vinha à mente era Victor Valentin e o batom Boka Loka, que eu queria muito, mas não tinha idade para me maquiar (agora, talvez eu possa ter um, já que rolam burburinhos por aí de que o produto será relançado). Minha rápida pesquisa ajudou, ainda mais depois que resolvi fazer o tema de casa e assistir ao remake que está sendo exibido pela Globo.

A novela mudou, sem dúvida, até porque precisava se atualizar desde sua estreia há 25 anos, e também porque foi misturada à trama de Plumas e Paetês (esta eu não vi, obviamente), além de trazer de volta personagens de sucesso de outras novelas, como o Mario Fofoca, por exemplo. De qualquer maneira, os personagens parecem fieis, mas tudo é mais exagerado. O antigo Victor Valentin, vivido por Luís Gustavo, era muito mais excêntrico do que promete ser Murílo Benício, mas, em compensação, o atual tem um perfil bem mais cômico do que o original. Já Reginaldo Farias, o Jacques Leclair da primeira versão, era bem mais tradicional do que Alexandre Borges no remake.

Mesmo assim, acredito que há chances de ser uma boa novela, hilária como pede o horário das 19h. Porém, eu sempre levo um pouco de medo quando tem a mão do Jorge Fernando, porque, embora eu goste dele, acho que o excesso de barracos, típico das produções dele, tende a cansar o público.

A trilha sonora ainda não foi divulgada, mas dizem por aí – e como se vê na abertura e nas chamadas – que algumas músicas antigas farão parte da nova trilha.

A trilha nacional de Ti ti ti já começa com o tema de abertura, da banda Metrô. Como todo new brasileiro da época, a música é tosca demais. Vale como registro histórico e só. A coisa começa a mudar de figura com Não Diga Nada, do Prêntice (pior nome DE TRABALHO). Na verdade, só fui lembrar da música quando ouvi a trilha e me dei conta que já conhecia, mas numa versão cantada pelo RODRIGO FARO (eterno). Bela canção.

Lobo do Absyntho é outra música new wave, mas é bem melhor do que o tema da novela, ao menos. Troca-troca dos Fevers é outra que esbanja anos 80 a cada nota. Nada Por Mim da Marina é um clássico conhecido por todos, nem que seja na versão original dos Paralamas do Sucesso. O lado B é mais fraco, por isso não destacarei nada. Vamos para a outra trilha, pois.

A trilha internacional começa demolindo o universo, com Lover Why do Century. A prova de que essa música é excelente é o fato de ela estar na coletânea LOVE METAL. Desconheço praticamente todas as bandas dessa trilha, por isso me aterei às que são confirmadas. Hot Shot do Jimmy Cliff é uma aula de sintetizadores e bateria eletrônica, com aquele clima caribenho safado de fundo.  Sade é garantia de MAKE OUT SONG e Hang On to Your Love não é diferente. Rola aquela linha de baixo hipnótica e a guitarrinha marota de sempre.

Does Anybody Know Me do Lipps Inc. (a banda de Funky Town da trilha de Shrek 2, para quem não conhece) é um som disco tradicional, parece até meio deslocada, aqui. Mas é uma boa música, que empolga. E esses são os pontos altos da trilha. Não são muitos, eu sei, mas as próximas trilhas serão cobertas de destaques. AGUARDEM.

Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Roque Santeiro (1985/1986)

27/07/2010

Hoje começa uma série de grande VALOR AFETIVO aqui no blog. Convidei a querida Mariella Taniguchi, que costumava escrever aqui e agora pode ser encontrada mais facilmente aqui, para mostrar todo o seu conhecimento sobre NOVELAS, maior produto fabricado no Brasil. Ela vai escrever sobre as novelas em si, já que é uma especialista no assunto, e eu vou falar sobre as trilhas sonoras, até porque música é a única coisa que sei falar a respeito.

Começaremos com a primeira novela que temos registros mentais: ROQUE SANTEIRO, por muitos considerada a melhor novela de todos os tempos. Apreciem!

Eu sempre fui noveleira. Lembro detalhes, músicas e nomes de personagens de muitas novelas que se passaram até aqui. A primeira que me vem fresquinha à memória é Roque Santeiro. Na verdade, eu tinha só 4 anos (a novela acabou dois dias depois de eu completar cinco) e me esforçava muito pra ficar acordada até tarde para poder ver o lobisomem. Aquilo me apavorava, mas me enchia de curiosidade. Confesso que fiquei algumas noites sem dormir com medo que meu pai pudesse virar bicho também.

O fato é que, com alguns dias de esforço, consegui manter meus olhos de japa abertos para assistir à novela mais sensacional que já passou na televisão brasileira. Claro que muitos detalhes eu só pude perceber no Vale a pena ver de novo, mas o importante é que a novela me marcou de várias maneiras. Me lembro de brincar de Viúva Porcina e de pedir “Miiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiirna, traga meu suco de pitanga”, com meu conjuntinho de chá rosa pink. Às vezes, colocava correntes no braço para imitar o Senhozinho Malta também.

Além disso, foi nesta época também que eu descobri a existência de Roupa Nova e ganhei meu primeiro LP “de mocinha”. O Roupa Nova 1985 passava horas na vitrola. Depois, vieram Herança e Luz. Mas aí, acabei abandonando o hábito. Era difícil concorrer com Dominó e Polegar, na época.

Roque Santeiro teve duas trilhas sonoras, ambas nacionais. Mas a mais significativa é a primeira, com a Regina Duarte na toda poderosa na capa. A abertura com Isso aqui tá bom demais do Dominguinhos marcou época, impossível alguém não lembrar. Sem pecado e sem juízo da Baby Consuelo é outro ponto alto da trilha, uma balada excelente. Outra música lenta (percebam a idade de quem escreve através do uso dessa expressão) é Chora Coração, do Wando, com um violão que dilacera a alma.

Mistérios da Meia-noite do Zé Ramalho mereceria um post só seu, de tão impressionante que é. Assim como a Mariella, eu também me borrava de medo dessa música, com medo que um lobisomem fosse aparecer na minha casa. O tema de abertura da novela, Santa Fé do Moraes Moreira, fez história junto com a (para a época) modernosa mescla de miniaturas e cenários gigantes.

O lado B do disco abria com Dona, do Roupa Nova, composta por Sá e Guarabira. Mostrando porque é a maior banda brasileira, o Roupa dá uma aula de interpretação no tema da Viúva Porcina. De chorar, realmente. De Volta pro Aconchego da Elba Ramalho é outro ponto alto, junto com Coração Aprendiz, da Fafá de Belém. Em resumo, só tem figurinha carimbada na trilha sonora dessa novela que foi a única até hoje a alcançar 100 PONTOS DE AUDIÊNCIA. Não é para qualquer uma.

Grandes Currículos da Música: Adam Schlesinger

18/05/2010

Este rapaz de sobrenome enrolado é responsável por algumas das melhores músicas pop que meus ouvidos já tiveram o prazer de escutar. A primeira vez em que ouvi o disco de estreia da banda dele, Fountains of Wayne, fui surpreendido pela qualidade absurda de todas as composições, sem exceção. A abertura com Radiation Vibe me ganhou imediatamente e fez com que eu procurasse todos os álbuns da banda.


Que aula.

Só pelo fato de ter composto hinos supremos no Fountains of Wayne o Adam Schlesinger já mereceria esse post, mas da mesma forma o seu parceiro na banda, o Chris Collingwood, também deveria estar aqui. O que faz com que o Adam esteja em destaque é que ele é um baita dum compositor de trilhas sonoras de filmes. Sabe That Thing You Do?, daquele filme The Wonders – O Sonho Não Acabou? Pois é, é dele.


Maior que Beatles e Beach Boys juntos

E como se não bastasse, ele ainda é o responsável por quatro músicas da trilha do belo filme Letra & Música, incluindo a matadora Way Back Into Love. Resumindo: Adam Schlesinger é um gênio da música pop, com um dom pra melodias pegajosas como poucos. Qualquer pessoa que tenha interesse em ouvir músicas boas de verdade, precisa conhecer o trabalho dele. É só escolher uma das canções e morrer de inveja do talento colossal.


Hugh Grant > Paul McCartney