Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Cambalacho (1986)

Ao fazer uma pesquisa nas minhas memórias sobre Cambalacho, me lembro exatamente de ter questionado minha mãe sobre o que significava a palavra. “Trambique, sacanagem”, me disse dona Isolete. Engraçado que isso ficou tão fixo na minha mente, que ficava analisando as tramoias dos personagens para saber se agiam corretamente ou não. Talvez, eu tenha entendido – como crianças entendem as coisas – o recado de Silvio de Abreu quando escreveu a novela, que, hoje, avalio, condenava o mau-caratismo associado à ambição.

Eu era pequenina, mas tinha um senso de justiça bem aguçado e batia nos coleguinhas que mentiam. E me achava super correta. Mas, sendo realista, não quis dizer que a temática fosse inédita, porque sabemos que não era. Mas, pra mim, foi importante porque foi quando eu comecei a ter noção sobre isso.

Cambalacho foi uma novela querida e me arrisco ao dizer que não era feita somente de estereótipos. Tinha, sim, a mocinha e a vilã, e todos os outros componentes, mas a mocinha em questão era também uma trambiqueira que caiu no gosto do público porque tinha bom coração. Mas fez história e rendeu boas risadas, bem ao estilo cômico de Silvio de Abreu. Afinal, quem é que não lembra da conturbada relação de Ana Machadão (Débora Bloch) e Antero (Edson Celulari)? Ou das magias de Tina Pepper (Regina Casé) para conquistar o coração do seu amado (Paulo César Grande)?

Confesso que não me recordo, mas cambalacho devia ser uma palavra da moda na época, porque foi usada na música Tô P da Vida, do Dominó, no disco deles de 1987. Infelizmente, ela não está presente nesta trilha sonora, por isso falarei das que de fato estão presentes.

O disco começa com Perigosa, do Syndicatto. O único perigo aqui é a pessoa ter uma lesão auditiva, de tão ruim que é a música. Parece Mas Não É do Carbono 14 tem uma pilha Jovem Guarda embebida de new wave. Uma mistura estranha, mas que até não ficou ruim. O tema de abertura, Cambalacho do Walter Queiróz, tem uma levada caribenha, muito em voga na época e bastante recorrente em várias outras aberturas de novelas.

Filho da Cidade do Sergio Dias é um pop que transborda anos 80. Até demais, sejamos francos. Mas ele tem crédito, por todos os serviços prestados ao rock. A trilha tem até samba de raiz, com Deus Nos Acuda do Fundo de Quintal. Um dos destaques da trilha nacional, sem dúvida.

A trilha internacional começa com a balada Captain of Her Heart, do Double, e seu pianinho maroto. Depois vem a clássica Bad Boys, da Gloria Estefan and The Miami Sound Machine. Um dance pegado, que marcou época. Outro destaque é Greatest Love of All, da Whitney Houston. Ela comanda o universo, não adianta. Pena que NADOU NO CRACK nos últimos anos.

Better Be Good to Me da Tina Turner é um pop excelente, com um riff marcante. E esse disco é tão recheado de baladas que até o ZZ Top ataca com uma, Rough Boy. A conclusão a que chego é que 1986 foi um bom ano para baladas, para o bem de toda a humanidade.

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Uma resposta to “Essas novelas maravilhosas e suas trilhas sonoras matadoras – Cambalacho (1986)”

  1. Diogo F Says:

    “Doces jogadas ensaiadas
    Nas mesas das nações unidas”

    sem mais.

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