Sei que não se faz uma lista com apenas dez músicas do Metallica, mas era preciso. Hoje é o grande dia. Depois de onze anos, eles estão de volta ao PORTINHO. E como muitos já devem saber eu não fui no show de 1999 porque estava passando por uma fase INDIE, em que ouvia Belle & Sebastian e coisas piores (se é que isso é possível). Mas felizmente vi a LUZ durante os anos 2000 e tirei o atraso, vendo vários show de rock de verdade. E agora chegou a vez de assistir aos QUATRO CAVALEIROS DO METAL. Bom, chega de enrolação e vamos à lista, em ordem cronológica:
Maior dance dos anos 2000, sem dúvida alguma. Something está para a música eletrônica assim como Master Of Puppets está para o metal. É um clássico, um divisor de águas. A faixa tem um ritmo marcante, que sempre associo a uma guitarra de rock, a um CÂN-GÂN poderoso. O refrão é de ouvir de joelhos, com as mãos erguidas aos céus. Se alguém ainda não conhece essa música, é melhor tratar de nascer de novo.
Strokes – Hard To Explain (2001)
Strokes talvez tenha sido a primeira banda a fazer sucesso nos anos 2000 que tenha me chamado a atenção. Is This It é um baita disco e essa faixa é a melhor de todas. As duas guitarras são muito boas e o refrão é uma catarse. Adoro o fato da música acabar seca, até porque é a única saída. Ela vem crescendo de uma forma tão intensa que só o final abrupto se justifica. Clássico.
Outkast – Hey Ya (2003)
Confesso que odiei essa música por muito tempo. Não suportava o FRENESI que rolava quando Hey Ya era executada nas festas. Aquele gritinho das gurias quando toca o som que elas esperam na pista sempre me incomodou. Demorou, mas dei o braço a torcer. A introdução dessa faixa é um primor. Som dançante com violão é uma combinação letal, mas poucas pessoas têm a manha de fazer. E aqui a mistura tão perfeita que chega a dar raiva. DAMN YOU, ANDRE 3000.
White Stripes – Seven Nation Army (2003)
Jack White é gênio. O maior surgido nos últimos dez anos, pelo menos. Tenho até pena dos demais músicos que apareceram do final dos anos 90 pra cá. NENHUM chega perto. E essa música explica muita coisa. Admito que tinha raiva dela, pelo mesmo motivo explicitado em Hey Ya. Em toda festa indie rolava um DESBUNDE quando Seven Nation Army tocava e isso me incomodava bastante. Não adianta, preciso de perspectiva histórica pra analisar certas canções. Mas hoje posso afirmar com convicção que essa música é FODA. Riff e batera aniquiladores. MUITO foda.
The Killers – Mr. Brightside (2004)
Melhor música deles, Mr. Brightside é uma verdadeira paulada. Estrofe, ponte e refrão matadores, impossível dizer qual a melhor parte. Para variar, tinha um pé atrás com eles por causa do som excessivamente 80’s e não ouvi com atenção quando surgiram. Mas felizmente me despi de preconceitos depois e passei a curtir o pop inspirado de Brandon Flowers & cia.
Fall Out Boy – Thnks Fr Th Mmrs (2007)
Sim, a banda tem uma vibe emo. Sim, a grafia do nome do título é algo ridículo, que reprovo fortemente. Mas a música é muito boa. E se a música é boa, o resto se torna irrelevante. O refrão de Thnks Fr Th Mmrs é um dos melhores que já ouvi nos últimos quinze anos, fácil. E o vocal do Patrick Stump é muito bom, o que ajuda consideravelmente. Gosto das harmonias vocais nessa faixa e ainda tem um violão maroto na jogada. Enfim, bela canção.
Dan Wilson – Free Life (2007)
Claro que nenhuma lista vai incluir essa música. Mas afinal, essa é a MINHA lista. E Free Life é um verdadeiro manifesto, a faixa-título do disco maravilhoso do Dan Wilson que tive a oportunidade de comprar do próprio, no show de Sydney em 2008. Já publiquei a letra no antigo blog por ter me tocado de uma forma absurda, coisa de destino, mesmo. Ouvi-la me lembra das mudanças que aconteceram na minha vida nos últimos dois anos e de como os versos batem pra mim. O disco é um dos melhores da década e talvez essa nem seja a melhor faixa, mas com certeza é a mais significativa. E num universo de músicas sem sentido, canções assim se destacam muito.
Rivers Cuomo – Lover In The Snow (2007)
Essa foi a música que mais me chamou a atenção quando ouvi o primeiro disco solo do Rivers Cuomo. Foi paixão imediata. O riff é contagiante e a letra é de chorar. Ela já era um hit instantâneo pra mim e quando descobri que existia um vídeo, fiquei muito curioso. Nunca imaginaria que seria baseado em futebol e que a história do Rivers era tão ligada ao maior esporte do cosmos. Impossível não se emocionar. Não por acaso, considero esse cara o maior compositor surgido nos anos 90.
Guns N’ Roses – Better (2008)
A maior música dos anos 2000. Chorei baldes quando ouvi pela primeira vez, já nem sei mais quando. Só sei que de 2006 em diante aguardei ansioso pelo lançamento do Chinese Democracy, o maior disco dos anos 2000. E quando ele saiu, pude comprovar novamente que Better é uma obra-prima incontestável. As guitarras são excelentes e o solo é algo obsceno de tão bom. Ouvir isso ao vivo vai ser o ponto alto da minha existência, tenho certeza. Axl, you’ve done it again.
Lady Gaga – Poker Face (2009)
Não sei nada sobre a carreira dela. E nem quero saber, na real. Pouco importa se é fabricada, se não compõe nada, se não canta nada. O que interessa é que ela lançou o hit de 2009, uma música que gruda de uma forma impressionate. E não falo isso como crítica, porque a faixa é realmente foda. Não me surpreende o fato do Weezer ter feito um cover dela. Aula de refrão. Por ser muito recente, não sei dizer se ela ainda significará algo pra mim daqui a cinco anos. Mas hoje eu seria LEVIANO se não incluísse Poker Face na lista das melhores músicas da década.
Que Shakira é sensacional, todo mundo sabe. Seria perda de tempo elogiá-la neste post. Portanto, vamos ao que interessa. Este single, de 2001, marca a fase inglesa da maior personalidade da Colômbia depois de VALDERRAMA. Whenever, Wherever, a faixa, é excelente, com sua vibe ORIENTE MÉDIO e sua flautinha andina no final. Também pudera: foi composta pela própria Shakira e pela GLORIA ESTEFAN, musa eterna.
A segunda faixa do cd é Suerte, que nada mais é do que a música anterior cantada em espanhol. Claramente superior, já que Shakira em sua língua natal é imbatível. Ouvir frases como “Suerte que mis pechos sean pequeños/Y no los confundas con montañas” derrubam até o mais ferrenho dos detratores da moça. A próxima canção é Whenever, Wherever, só que dessa vez numa versão TV EDIT, que não faz sentido algum. Talvez ela fale alguma coisa PROIBIDONA na versão original e por isso a TV censurou. Pode ser. Não faço a menor questão de saber o motivo.
Machu Picchu é logo ali
Por fim, a faixa de encerramento é uma balada, daquelas que só a colombiana fatal sabe fazer. Inevitable é uma aula de começo calminho e refrão pegado, como toda música decente do universo deveria ser. Perto do final, entra um órgão muito em chamas e uma guitarra encorpada, só pra voltar pro violão depois e fechar os trabalhos de forma magistral.
Um bom single, sem dúvida (desculpem, mas não resisti ao trocadilho). Just a Girl é uma música excelente, com seu tecladinho MAROTO e refrão pegajoso. É difícil escolher canções para lançar em compacto quando se tem um arsenal explosivo como o do Tragic Kingdom, de 1995. Mas a opção foi acertada, pois essa faixa ilustra bem o clima do álbum e toda a MEIGUICE SARADA que a Gwen Stefani tinha na época. Hoje ela é apenas mais uma das BIATCHES QUARENTONAS que andam por aí (apesar de ter boas músicas, admito).
Na sequência vem Different People, uma espécie de BAIÃO DA CALIFÓRNIA, com um ritmo poderoso. A mistura de ska e pop do No Doubt era foda demais e essa música é um exemplo perfeito. Guitarrinha sacana e baixo marcadão fazem a alegria do povo. Para fechar, Open the Gate, a mais pesada do single, com uma batera muito massa e trompete pegado.
No balanço, diria que temos um triunvirato de boas canções de uma banda que lançou alguns dos clássicos noventistas. Compacto aprovado fortemente.
Primeiro de uma série de singles do Guns que aparecerão por aqui, You Could Be Mine foi tirado da trilha do fatalíssimo EXTERMINADOR DO FUTURO 2. Quem já viu o clipe dessa música sabe o poder que ela tem no filme, DIMULINDO tudo. Está tudo aqui: o baixo demoníaco do Duff, a guitarra estridente do Slash, os rolos do Matt Sorum (divago um pouco: Steven Adler perguntou ao público no workshop: “Vocês já imaginaram se EU tivesse gravado a bateria de You Could Be Mine?” Tenho até medo da paulada que sairia). Todo mundo conhece a faixa de cor, o que dispensa maiores análises.
A outra música do single é a que abre o Use Your Illusion II (o azul, para os leigos) e é a única em que Steven Adler realmente toca: Civil War. Um verdadeiro épico da paz (pior frase da história), essa faixa é um contraponto interessante à BRUTALIDADE de You Could Be Mine. Diria que esse tipo de canção é a especialidade do Axl, junto com todas as outras baladas maravilhosas dos UYI.
O resumo desse single é que ARNOLD + AXL = ALEGRIA SUPREMA. Uma trilha perfeita para um filme perfeito e mais um compacto antológico para a minha coleção.
Eu sempre fui apaixonado por singles. Nunca conseguia comprar muitos porque o Brasil não tinha tradição em lançar compactos na era do CD. Por isso fui literalmente à forra na Austrália, com a oferta absurda de singles em qualqer loja. Além disso, minha entrada no eBay de lá só serviu para abalar minha vida e arruinar minhas finanças.
Comprei tanto single que na hora de embarcar para o Brasil fui obrigado a deixar TODOS os meus CDs (que eu havia levado em 2007) com amigos, pois a mochila já estava pesando TREZE QUILOS. Paciência, pelo menos trouxe todos os singles e é por isso que agora começarei uma série semanal falando desses compactos incríveis e suas faixas maravilhosas. Fechei os olhos e escolhi um aleatoriamente e esse será o processo daqui para frente. Aqui está o resultado:
Belas luzes, Per
Uma das maiores faixas do grande disco CRASH! BOOM! BANG!, Sleeping In My Car tem um riff marcante e certamente será tocada na minha dupla pop com Andrey Damo. Esta edição inglesa traz três músicas: a faixa-título (que dispensa maiores apresentações) na versão original de 1994, a antológica The Look na versão gravada para o MTV UNPLUGGED, em 1993, e Sleeping In My Car na chamada THE STOCKHOLM DEMO VERSION (belo nome para uma banda, né, Andrey?), totalmente crua e com final abrupto.
Roxette não tem erro, é sempre uma garantia de música boa e com esse single não foi diferente. Comprei pelo eBay e não me decepcionei. Também, quem poderia se decepcionar com essas músicas?
Não sei se Mike Patton ainda tem alguma coisa a provar, se ele ainda tem algum sonho que não concretizou. Só sei que, ao reativar o mais famoso dos seus projetos, ele provou para todos que é o cara mais foda do mundo. É como se ele declarasse: “Eu sou um gênio supremo, eu canto como eu quiser, eu grito como eu quiser e deixo vocês pensando que, se o ingresso custasse mil reais, vocês pagariam”.
Pois foi exatamente essa a impressão que tive no Pepsi On Stage, ontem à noite. Depois de um show interessante de abertura a cargo da Véspera, que teve a heróica tarefa de se apresentar em frente a fãs impacientes do Faith No More e acabou se saindo bem com um ótimo cover de When Doves Cry, do Prince, e uma irretocável versão de Come Together, dos Beatles, a noite histórica começou.
Abrir um show com Midnight Cowboy, a última faixa do melhor disco deles, o soberbo Angel Dust, já foi uma jogada de mestre. Certamente Patton me viu na platéia pela cortina bordô e decidiu, em cima hora, que precisava dar início aos trabalhos com esse petardo. Emendar From Out Of Nowhere também não ajudou a minha saúde, pois senti o fôlego se esvaindo com os pulos ensandecidos.
O que aconteceu depois é um pouco nebuloso, já que assim que ouvi os primeiros acordes de Land Of Sunshine chamei num headbanging pegado e gritei cada frase da letra. Quando achei que as coisas se acalmariam, eis que veio Caffeine, o maior metal da história. Tocar as duas primeiras músicas do Angel Dust em sequência foi cruel demais comigo. Cogitei seriamente abandonar o local e pegar o T-5 para casa, mas logo voltei a mim e pude seguir curtindo o maior show que Porto Alegre já viu.
Descrever cada música tocada na ordem seria impossível, pois nada jamais se comparará ao que foi visto e ouvido lá. Por isso encerrarei dizendo que a noite foi tão perfeita não porque rolou um ótimo espetáculo de uma banda competente. A noite foi perfeita porque Mike Patton decidiu que ele podia fazer o maior show de todos os tempos.
E ele SEMPRE pode o que quer. Para a nossa sorte.
- Midnight Cowboy
- From Out of Nowhere
- Land of Sunshine
- Caffeine
- Evidence
- Surprise! You’re Dead!
- Last Cup of Sorrow
- Ricochet
- Easy
- Midlife Crisis
- Epic
- Caralho Voador
- The Gentle Art of Making Enemies
- King for a Day
- Ashes to Ashes
- Just a Man
- Chariots Of Fire/Stripsearch
- As the Worm Turns
- This Guy’s In Love With You
- We Care a Lot
Hoje me dirigi a um compromisso altamente desagradável acompanhado do meu mp3 player. No playlist o GREEN ALBUM, do Weezer. Enquanto ouvia os petardos que compõem esse álbum, lembrava do email que enviei a um par de amigos sobre o projeto de comemorar os dez anos de lançamento da obra, em 15 de maio de 2011, tocando todas as faixas na sequência, o que levará menos de meia hora.
A reação deles foi morna, mas sei que estavam apenas atônitos com o ousado convite que fiz, pois todos sabem o poder avassalador desse disco. Criticado por parte da “imprensa especializada” e por indies que acham o trabalho “POP DEMAIS” (adoro), o Green Album é uma aula de simplicidade perfeita, colocando-o como um dos maiores discos já lançados nos últimos cem anos.
Banda na capa do álbum: entendo.
Sei que meus amigos também concordam com isso e que é apenas uma questão de tempo até que eles me procurem para tirarmos todas as faixas e marcarmos ensaios. Estarei desde já aprendendo a tocar e me preparando para daqui a um ano e meio arruinar o universo com a execução ao vivo do disco.
Enfim, achei que este post era necessário para convocar quem quiser se unir a essa causa nobre. Vocês não se arrependerão.
Eu confesso: não consigo ver fotos da Austrália. Sempre que me deparo com alguma pasta de imagens no computador ou recebo algum link dos amigos que lá estão penso duas vezes antes de abrir. Sinto a mesma coisa que se sente ao ver a foto de um parente falecido há pouco ou de uma namorada cujo relacionamento terminou recentemente: um aperto enorme no peito.
Sei que é só uma questão de tempo até eu poder olhar essas fotos como olho as da infância ou da época da faculdade, com aquela nostalgia boa, de lembranças dos ótimos momentos vividos. Mas ainda não dá. A volta é muito recente e os sentimentos se misturam na cabeça, além de mil questionamentos que aparecem a toda hora.
Por isso, peço desculpa aos amigos daqui que me perguntam empolgados sobre a viagem ou mesmo sobre os meus planos atuais. As coisas ainda estão indefinidas e a transição é lenta. Também peço que os amigos de lá relevem se eu não olhar seus álbuns de fotos. Entendam que é apenas uma fase e como tal, precisa ser superada para dar espaço a uma nova postura. Mas enquanto ela não passa, tem sido difícil olhar imagens dos últimos dois anos sem bater uma saudade cruel.
Hoje abri minha carteira e vi esse papel numa das divisões internas. Não lembrava de ter escrito isso. Tirei de um livro cujo nome me foge agora, mas que achei muito interessante. Ele é composto de tópicos como esses da imagem. São verdadeiros socos na cara, lembretes de como a gente esquece de viver a vida como ela deveria ser vivida: sem medo e com amor.
Confesso que não sigo esses conselhos ao pé da letra, mas nada melhor do que colocá-los em prática na hora de abrir um novo blog. Tudo é possível quando se começa do zero. E é o que espero provar para mim mesmo com esse espaço.